Registrato: como consultar o SCR no Banco Central
Passo a passo para tirar o relatório do SCR no Registrato do Banco Central com conta gov.br, como ler cada campo e como corrigir uma informação errada.
Resumo rápido
- O Registrato é o serviço gratuito do Banco Central que mostra o que bancos e financeiras informaram sobre você, incluindo o relatório do SCR.
- Para entrar, é preciso conta gov.br nível prata ou ouro com a verificação em duas etapas ativada.
- As instituições enviam os dados uma vez por mês, com a posição do último dia do mês; uma dívida paga hoje costuma aparecer como quitada só no relatório seguinte.
- O Banco Central não altera o relatório: a correção é pedida à instituição que enviou o dado, e depois à ouvidoria dela.
Para consultar o SCR (Sistema de Informações de Crédito) do Banco Central, você entra no Registrato, o serviço gratuito do BC para o cidadão, com a sua conta gov.br nível prata ou ouro e a verificação em duas etapas ativada. Lá você emite o relatório de empréstimos e financiamentos, que mostra tudo o que bancos e financeiras informaram sobre você: contratos, parcelas em dia, atrasos, prejuízos e limites. É o retrato das suas dívidas que o banco vai ver quando você pedir um financiamento imobiliário.
A seguir: como acessar, o que significa cada parte do relatório e como pedir correção quando algo estiver errado.
O que é o SCR e por que ele importa no financiamento
O SCR é um banco de dados mantido pelo Banco Central com as operações de crédito de pessoas e empresas. As instituições financeiras são obrigadas a enviar, todo mês, a posição de cada cliente cujo conjunto de operações seja igual ou superior a R$ 200, conforme as instruções do documento 3040 do Banco Central.
Ele é diferente dos bureaus privados (Serasa, Boa Vista, SPC e Quod) em três pontos:
| Bureaus privados | SCR (Banco Central) | |
|---|---|---|
| Quem mantém | Empresas privadas | Banco Central |
| O que registra | Negativações, Cadastro Positivo e score | Todas as operações de crédito, em dia ou não |
| Quem informa | Credores em geral, inclusive lojas e operadoras | Bancos, financeiras e demais instituições autorizadas |
| Dá nota? | Sim, de 0 a 1.000 | Não |
| Onde você vê | Site e app de cada bureau | Registrato |
No crédito imobiliário, o SCR responde a pergunta que o score não responde: quanto você já deve e quanto do seu limite está comprometido em todo o sistema financeiro. Com a sua autorização, o banco consulta esse histórico na análise. Para entender como a nota dos bureaus entra na conta, veja score para financiamento imobiliário.
Como acessar o Registrato passo a passo
1. Prepare a conta gov.br
O Registrato só aceita conta gov.br nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativa.
- Nível: abra o app gov.br, vá em selos de confiabilidade e veja o seu nível. Para subir de bronze para prata, as opções mais comuns são validar pelo internet banking de um banco credenciado ou pela biometria facial. O nível ouro vem, entre outras opções, com o reconhecimento facial na base da Justiça Eleitoral, com a Carteira de Identidade Nacional ou com certificado digital. As opções disponíveis aparecem no próprio app.
- Verificação em duas etapas: no app gov.br, em segurança da conta, ative a opção. A partir daí, cada login pede um código gerado no app.
2. Entre no Registrato
Acesse a página do Registrato no site do Banco Central (bcb.gov.br, área de cidadania financeira) e clique para entrar com gov.br. Digite o endereço no navegador; não use links recebidos por mensagem.
3. Escolha o relatório
O Registrato oferece vários relatórios. Para crédito, os mais úteis são:
| Relatório | Para que serve no financiamento |
|---|---|
| Empréstimos e financiamentos (SCR) | Mostra dívidas, atrasos, prejuízos e limites |
| Dívidas com órgãos públicos federais | Mostra pendências no Cadin, que travam crédito em banco público |
| Cheques sem fundos (CCF) | Mostra registros de cheque devolvido |
| Contas e relacionamentos (CCS) | Lista os bancos onde você tem conta |
| Chaves Pix | Lista as chaves cadastradas no seu CPF |
Há também o relatório de câmbio e transferências internacionais, menos relevante para esse fim.
4. Gere e salve o PDF
Escolha o período e emita o relatório. Salve o arquivo: ele será útil para comparar mês a mês e como prova, se precisar contestar algo.
Como ler o relatório do SCR
O relatório organiza as informações por instituição e por mês de referência. Os termos que mais confundem:
- A vencer: valores ainda não vencidos. Um atraso muito recente pode ainda não aparecer como vencido, porque o SCR só classifica como vencida a operação com parcela em atraso há mais de 14 dias, segundo material de instituições participantes.
- Vencido: parcelas com mais de 14 dias de atraso, separadas por faixa de tempo.
- Prejuízo: operação que a instituição baixou como perda depois de um longo período sem pagamento. A baixa contábil não extingue a dívida.
- Limite de crédito: limite disponível que você tem e não usou, como cheque especial e cartão. Mesmo sem uso, ele aparece.
- Coobrigação: operações em que você é avalista, fiador ou garantidor de outra pessoa.
- Modalidade: o tipo de operação (cartão, crédito pessoal, consignado, veículo, imobiliário).
Dois detalhes importantes. Primeiro, as instituições informam a posição do último dia de cada mês, e o relatório costuma ser atualizado no mês seguinte; uma dívida paga em fevereiro aparece quitada no relatório de março. Segundo, o histórico não é apagado: um mês em que você estava em atraso continua aparecendo como vencido, mesmo depois da quitação. As operações ficam visíveis por até cinco anos.
Exemplo prático: lendo um relatório antes do pedido
Exemplo ilustrativo. Ricardo baixou o relatório do SCR em setembro, antes de pedir o financiamento. Encontrou:
| Instituição | Modalidade | A vencer | Vencido | Limite |
|---|---|---|---|---|
| Banco A | Cartão de crédito | R$ 1.800 | R$ 0 | R$ 12.000 |
| Banco A | Cheque especial | R$ 0 | R$ 0 | R$ 5.000 |
| Financeira B | Crédito pessoal | R$ 6.400 | R$ 0 | R$ 0 |
| Banco C | Cartão de crédito | R$ 0 | R$ 950 | R$ 3.000 |
O que ele fez com isso:
- Atraso no Banco C. Era um cartão que ele achava cancelado, com anuidade acumulada. Negociou, pagou e guardou o comprovante. Esse é o item que mais preocuparia o banco do financiamento.
- Limites altos sem uso. Somando os dois cartões e o cheque especial, havia R$ 20 mil em limites. Algumas instituições consideram limite disponível como risco potencial. Ele reduziu o limite do cheque especial, que não usava.
- Crédito pessoal. Os R$ 6.400 a vencer viram parcela, que entra no comprometimento de renda. Ele simulou o financiamento com e sem essa parcela na calculadora de quanto posso financiar para decidir se valia quitar antes.
No relatório de novembro, o atraso do Banco C já aparecia como liquidado. O histórico de setembro continuou mostrando o vencido, e isso é normal.
O que o banco do financiamento costuma reparar
Cada banco tem a sua política de crédito e não divulga os critérios em detalhe, mas alguns pontos do relatório chamam atenção em qualquer análise:
- Qualquer valor em "vencido" ou "prejuízo" no mês mais recente. É o sinal mais direto de dificuldade de pagamento.
- Uso alto e constante do rotativo e do cheque especial. São linhas caras; usá-las todo mês sugere orçamento apertado.
- Muitas operações novas em pouco tempo. Vários empréstimos contratados em sequência podem indicar que você está cobrindo uma dívida com outra.
- Parcelas que somadas consomem boa parte da renda. O banco calcula quanto sobra para a parcela do imóvel depois das dívidas que já existem.
Se você vai financiar com outra pessoa, cada participante deve tirar o próprio relatório. O banco consulta o SCR de todos os CPFs da proposta.
Como corrigir informação errada no SCR
O Banco Central não altera dados do SCR. Quem responde pela informação é a instituição que a enviou. O caminho é este:
- Confirme que é erro. Verifique se não é só defasagem de um mês. Se a dívida foi paga há pouco, espere o relatório seguinte.
- Peça a correção à instituição. Pelo atendimento do banco ou financeira, por escrito, com contrato, comprovante de pagamento ou termo de acordo. A instituição também deve aceitar o registro de uma manifestação de discordância. Anote o protocolo.
- Ouvidoria. Se o atendimento não resolver, abra reclamação na ouvidoria da instituição, informando o protocolo anterior.
- Reclamação no Banco Central ou no consumidor.gov.br. O BC não corrige o dado, mas registra a reclamação contra a instituição e cobra resposta dela.
- Procon ou Justiça. Se nada resolver, procure o Procon ou um advogado. O Código de Defesa do Consumidor (art. 43) dá ao consumidor o direito de exigir a correção de dados incorretos sobre ele.
Não existe um prazo único em norma para a instituição corrigir o SCR após a quitação; na prática, a correção entra no ciclo mensal de envio. Por isso, o mais seguro é olhar o relatório com antecedência.
Erros comuns e cuidados
- Olhar só o score. O score pode estar bom e o SCR mostrar um atraso esquecido. O banco vê os dois.
- Deixar para a véspera. Se aparecer um erro, a correção leva pelo menos um ciclo mensal. Puxe o relatório alguns meses antes.
- Ignorar coobrigações. Ser fiador ou avalista de alguém aparece no seu relatório e pode pesar na análise.
- Confundir prejuízo com dívida extinta. Operação em prejuízo continua sendo dívida, e o banco credor pode cobrá-la.
- Cair em site falso. O Registrato é gratuito e só funciona com login gov.br. Desconfie de quem cobra para "consultar o SCR".
Se o relatório mostrar atraso ou prejuízo, o próximo passo é regularizar: veja como limpar o nome antes de financiar. E se você está com restrição ativa, leia também dá para financiar com nome sujo.
Resumo
- O Registrato é gratuito e exige conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas.
- O relatório do SCR mostra contratos, atrasos, prejuízos, limites e coobrigações informados pelas instituições.
- Os dados são mensais e o histórico não é apagado: meses em atraso continuam visíveis por até cinco anos.
- A correção é pedida à instituição que enviou o dado, depois à ouvidoria e, se preciso, ao Banco Central, ao Procon ou à Justiça.
- Consulte alguns meses antes do pedido de financiamento, para ter tempo de corrigir o que for preciso.
Perguntas frequentes
O Registrato é pago?
Não. A consulta é gratuita e feita pela internet, com login na conta gov.br.
Por que não consigo entrar no Registrato?
O motivo mais comum é a conta gov.br no nível bronze ou sem a verificação em duas etapas ativada. Suba o nível da conta (por exemplo, validando pelo app de um banco credenciado ou pela biometria) e ative a verificação em duas etapas no app gov.br.
Paguei a dívida e ela continua no SCR. É erro?
Nem sempre. Os bancos informam a posição do último dia de cada mês, e o relatório costuma ser atualizado no mês seguinte. Além disso, o histórico dos meses anteriores continua mostrando o atraso. Se a operação seguir em aberto depois do ciclo de atualização, peça a correção ao banco.
SCR é a mesma coisa que nome sujo?
Não. O SCR não é um cadastro de inadimplentes: ele registra todas as operações de crédito, em dia ou em atraso. Mas o banco que analisa um financiamento vê ali atrasos e prejuízos, e isso pesa na decisão.
Fontes consultadas
- Banco Central: Registrato (cidadania financeira)
- Itaú: Sistema de Informações de Crédito (SCR), envio mensal, histórico de cinco anos e correção
- Banco Central: instruções de preenchimento do documento 3040 (SCR)
- InvestNews: Registrato, o que é e como consultar (atualizado em jul. 2026)
- Barbieri Advogados: Registrato, SCR, prejuízo e direitos do consumidor (out. 2026)
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), art. 43
- Sicredi: perguntas sobre o SCR (vencido a partir de mais de 14 dias de atraso)
Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.