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Alugar ou comprar imóvel: como fazer a conta em 2026

Como comparar alugar e comprar imóvel com Selic, CDI, aluguel e valorização de outubro de 2026, com simulação de 10 anos à vista e financiada.

Publicado em 19 de outubro de 20268 min de leituraPor Redação Guia Credituz

Resumo rápido

  • A conta compara dois patrimônios no futuro: o imóvel quitado ou parcialmente pago contra o dinheiro que o locatário investiu.
  • Com juros altos, como o CDI de 13,65% ao ano em outubro de 2026, alugar e investir a diferença tende a sair na frente no papel.
  • No exemplo de 10 anos, comprar à vista só vence se o imóvel valorizar mais de 5,8% ao ano. Financiado, precisa passar de 7,1% ao ano.
  • Se os juros caírem, a vantagem muda de lado. Por isso vale refazer a conta com as suas premissas.
  • A decisão também depende de estabilidade, disciplina para investir e do valor de ter a casa própria, que a planilha não mede.

Para decidir entre alugar ou comprar, compare quanto patrimônio você teria daqui a alguns anos em cada caminho: de um lado o imóvel (menos o que ainda deve ao banco), do outro o dinheiro que o locatário investiu com a entrada e com a diferença entre parcela e aluguel. Em outubro de 2026, com o CDI em 13,65% ao ano e o aluguel rendendo em média 6,13% do valor do imóvel por ano, a conta no papel favorece alugar e investir, sobretudo quando a compra seria financiada. Esse resultado muda se os juros caírem, se o imóvel valorizar acima da média ou se você não investir a diferença. Abaixo está a conta completa, com as premissas abertas para você trocar pelos seus números.

Os números de outubro de 2026

A comparação depende de quatro variáveis. Estes são os valores de referência mais recentes:

Indicador Valor Fonte e data
Selic 13,75% ao ano Copom, decisão de 16 de setembro de 2026
CDI 13,65% ao ano Taxa DI de 15 de outubro de 2026
Rendimento médio do aluguel 6,13% ao ano FipeZap, setembro de 2026
Alta do aluguel em 12 meses 9,13% FipeZap, até setembro de 2026
Alta do preço de venda em 12 meses 5,51% FipeZap, até setembro de 2026
IPCA em 12 meses 4,58% IBGE, até setembro de 2026
Taxa média de financiamento (5 grandes bancos) 11,40% ao ano + TR MySide, outubro de 2026
TR em 12 meses 2,00% Brasil Indicadores, até outubro de 2026

O rendimento do aluguel é o aluguel anual dividido pelo preço do imóvel. Ele diz quanto o dono "ganha" alugando. Quando ele fica bem abaixo do rendimento de uma aplicação segura, alugar tende a ser mais barato que comprar.

O FipeZap mede preços anunciados, não necessariamente os preços fechados. Use como referência de mercado, não como valor exato do seu imóvel.

Como a conta funciona

A lógica é igualar as duas situações e ver quem termina com mais.

Quem compra à vista:

  • Usa o dinheiro guardado para pagar o imóvel e os custos da compra.
  • Não paga aluguel. Investe todo mês o valor que pagaria de aluguel.
  • No fim, tem o imóvel valorizado mais esse investimento.

Quem aluga, no lugar de comprar à vista:

  • Investe o dinheiro que usaria na compra.
  • Paga aluguel com a renda.
  • No fim, tem só o investimento.

Quem compra financiado:

  • Paga a entrada e os custos e assume a parcela.
  • Se a parcela for maior que o aluguel, quem aluga investe a diferença.
  • No fim, o comprador tem o imóvel menos o saldo devedor. O locatário tem a entrada e as diferenças investidas.

As premissas da simulação

Exemplo ilustrativo, calculado em Python mês a mês:

  • Imóvel: R$ 500.000.
  • Aluguel inicial: 6,13% ao ano do valor do imóvel, ou R$ 2.554 por mês.
  • Valorização do imóvel e reajuste do aluguel: 5,5% ao ano, perto da alta do FipeZap de venda em 12 meses. Também testamos 4% ao ano.
  • Custos da compra: 4,5% do valor (R$ 22.500), somando ITBI de 3% e uma estimativa para cartório e avaliação. Detalhes em custos para comprar imóvel.
  • Investimento: rende o CDI, com 15% de imposto de renda (alíquota para aplicações acima de 720 dias). Testamos CDI de 13,65%, 12% e 10% ao ano, mantido fixo por todo o período. Para simplificar, o imposto é descontado do rendimento mês a mês, e o aluguel é reajustado uma vez por ano.
  • Financiamento: 20% de entrada, R$ 400.000 financiados em 360 meses pela tabela SAC, juros de 11,40% ao ano mais TR de 2% ao ano, e R$ 150 por mês de seguros. A primeira parcela fica em R$ 5.543 e a 120ª em R$ 4.127.
  • Horizonte: 10 anos.
  • Ficaram de fora: condomínio (pago por quem mora, nos dois casos), IPTU (em geral pago pelo inquilino no contrato), manutenção do imóvel, corretagem numa venda futura e mudanças de casa. Todos esses itens pesam mais contra a compra do que contra o aluguel.

O resultado em 10 anos

Patrimônio estimado depois de 10 anos, em reais da época (sem descontar a inflação):

Compra à vista contra aluguel

CDI Valorização Quem comprou Quem alugou Diferença
13,65% 5,5% R$ 1.535.337 R$ 1.566.122 Aluguel à frente em R$ 30.785
13,65% 4,0% R$ 1.383.640 R$ 1.566.122 Aluguel à frente em R$ 182.482
12,00% 5,5% R$ 1.490.552 R$ 1.380.074 Compra à frente em R$ 110.478
10,00% 5,5% R$ 1.440.570 R$ 1.181.364 Compra à frente em R$ 259.206

Compra financiada contra aluguel

CDI Valorização Quem comprou Quem alugou Diferença
13,65% 5,5% R$ 587.414 R$ 764.590 Aluguel à frente em R$ 177.176
12,00% 5,5% R$ 587.414 R$ 686.519 Aluguel à frente em R$ 99.106
10,00% 5,5% R$ 587.414 R$ 601.972 Aluguel à frente em R$ 14.558
10,00% 4,0% R$ 473.455 R$ 636.279 Aluguel à frente em R$ 162.824

No financiado, o patrimônio do comprador é o imóvel valorizado (R$ 854.072 no cenário de 5,5%) menos o saldo devedor depois de 10 anos (R$ 266.667).

Ponto de equilíbrio

Outra forma de ler o resultado: quanto o imóvel precisaria valorizar por ano para a compra empatar com o aluguel em 10 anos.

CDI mantido por 10 anos Compra à vista empata com valorização de Compra financiada empata com valorização de
13,65% 5,8% ao ano 7,1% ao ano
12,00% 4,4% ao ano 6,4% ao ano
10,00% 2,8% ao ano 5,6% ao ano

O que os números dizem

Três conclusões saem da simulação:

  1. Juros altos favorecem o aluguel. Com o CDI de outubro de 2026, o dinheiro parado no imóvel deixa de render muito. Mesmo à vista, a compra fica um pouco atrás no cenário de valorização de 5,5%.
  2. Financiar sai caro quando os juros do financiamento passam do rendimento do aluguel. A taxa efetiva do exemplo (cerca de 13,6% ao ano com a TR) é mais que o dobro do rendimento do aluguel (6,13%). Nos primeiros anos, a maior parte da parcela é juros.
  3. A conta é sensível ao futuro dos juros. Se o CDI cair para perto de 10% ao ano e ficar lá, a compra à vista passa a vencer com folga e a financiada quase empata. Ninguém sabe a taxa dos próximos 10 anos, por isso vale testar mais de um cenário.

Uma observação sobre o financiado: os juros do contrato são fixos, mas o rendimento do investimento acompanha a Selic. Se os juros caírem depois que você comprou, você ainda pode tentar a portabilidade do financiamento para outro banco com taxa menor.

O que a planilha não mede

A matemática é só parte da decisão. Pese também:

  • Disciplina para investir. A vantagem do aluguel some se a diferença não for investida todo mês. O financiamento funciona como poupança forçada.
  • Estabilidade. O dono não depende da renovação do contrato nem de reajustes. O aluguel subiu 9,13% em 12 meses até setembro de 2026, o dobro da inflação.
  • Mobilidade. Quem pode mudar de cidade ou de emprego tem mais liberdade alugando, e evita custos de compra e venda.
  • Uso do FGTS. O saldo do FGTS pode entrar na compra e na amortização, mas não paga aluguel. Para quem tem saldo alto, isso muda a conta.
  • Concentração de risco. Comprar coloca grande parte do patrimônio num único bem, numa única cidade.
  • Valor pessoal da casa própria. Reformar do seu jeito, ter um endereço fixo para os filhos. A planilha não mede, mas conta.

Como fazer a sua conta, passo a passo

  1. Pegue o preço e o aluguel de imóveis parecidos no bairro onde quer morar. Calcule o rendimento do aluguel: aluguel mensal × 12 ÷ preço.
  2. Compare com o rendimento líquido de uma aplicação segura. Com CDI de 13,65% e 15% de IR, sobram cerca de 11,6% ao ano. Se o rendimento do aluguel for muito menor, alugar tende a sair na frente.
  3. Some os custos de entrada da compra: ITBI, cartório, avaliação.
  4. Simule a parcela no simulador de financiamento e compare com o aluguel. A diferença é o que o locatário investiria.
  5. Teste cenários. Mude a valorização e o CDI. Se a compra só vence em cenários otimistas, o risco é maior.
  6. Defina o horizonte. Quem vai ficar pouco tempo no imóvel perde mais com os custos de compra e venda.

Se você decidir comprar, entender SAC ou Price e comparar o CET entre bancos reduz o custo da opção financiada.

Resumo

Alugar ou comprar se resolve comparando patrimônios, e não perguntando se o aluguel é "dinheiro jogado fora". Com os juros de outubro de 2026, a conta favorece alugar e investir a diferença, principalmente contra a compra financiada. A compra à vista empata com valorização perto de 5,8% ao ano. Juros mais baixos, valorização acima da média, saldo de FGTS e o valor pessoal da casa própria podem virar o jogo. Refaça a conta com os preços do seu bairro e revise sempre que a Selic mudar.

Perguntas frequentes

Em 2026 vale mais a pena alugar ou comprar?

Com o CDI perto de 13,65% ao ano e aluguel rendendo cerca de 6,1% ao ano do valor do imóvel, a matemática favorece alugar e investir, desde que você invista a diferença de verdade. Se os juros caírem ou o imóvel valorizar acima da média, comprar passa a compensar.

Qual a regra prática para saber se o aluguel está barato?

Divida o aluguel anual pelo preço do imóvel. Esse é o rendimento do aluguel. Se ele for bem menor que o rendimento líquido de uma aplicação segura, alugar tende a ser vantajoso. Em setembro de 2026, a média do FipeZap era 6,13% ao ano.

Pagar aluguel é jogar dinheiro fora?

Não necessariamente. No financiamento, a maior parte da parcela dos primeiros anos é juros, que também não voltam. O que importa é comparar o patrimônio final das duas escolhas.

E se eu não tiver disciplina para investir a diferença?

Então a simulação deixa de valer. O financiamento funciona como poupança forçada. Quem gasta a diferença em vez de investir costuma terminar com menos patrimônio alugando.

A valorização do imóvel acompanha a inflação?

Varia muito por cidade e período. Nos 12 meses até setembro de 2026, o FipeZap de venda subiu 5,51%, contra IPCA de 4,58%. Em outros períodos ficou abaixo da inflação.

Fontes consultadas

  1. Copom reduz Selic para 13,75% (set. 2026)
  2. Partnr: CDI acumulado e taxa diária (15/10/2026)
  3. Portas: FipeZap aluguel residencial, setembro de 2026
  4. Chaves na Mão: FipeZap venda residencial, setembro de 2026
  5. Jornal do Comércio: aluguel sobe quase o dobro da inflação em 2026 (FipeZap)
  6. MySide: radar de taxas do financiamento imobiliário (out. 2026)
  7. Brasil Indicadores: TR acumulada em 12 meses
  8. Valor Final: imposto de renda sobre investimentos em 2026

Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.

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