Custos para comprar imóvel: o que pagar além da entrada
Os custos da compra de imóvel além da entrada em 2026: ITBI, cartório, avaliação do banco e seguros, com exemplo calculado e onde consultar cada valor.
Resumo rápido
- Além da entrada, separe dinheiro para ITBI, registro em cartório, avaliação do banco e certidões.
- No exemplo de um imóvel de R$ 500 mil financiado em São Paulo, só ITBI e avaliação já somam mais de R$ 15 mil.
- No financiamento bancário, o contrato do banco costuma substituir a escritura pública, mas o registro continua obrigatório.
- Quem compra o primeiro imóvel residencial pelo SFH tem direito a 50% de desconto nos emolumentos de registro, mas precisa pedir.
- Seguros MIP e DFI e eventual tarifa mensal entram na parcela, e não na conta de largada.
Além da entrada, quem compra um imóvel paga o ITBI (imposto municipal), as taxas de cartório para registrar a compra e, se financiar, a tarifa de avaliação do banco. Somados, esses gastos iniciais costumam ficar entre 3% e 5% do valor do imóvel, segundo estimativas de mercado, e precisam ser pagos à vista, perto da assinatura. Depois disso vêm os custos que entram na parcela, como os seguros obrigatórios. Abaixo está cada item, quanto custa em outubro de 2026 e onde conferir o valor exato.
Lista dos custos, do primeiro ao último
Os custos aparecem em momentos diferentes. Organizar por fase ajuda a saber quanto dinheiro ter em mãos em cada etapa.
| Fase | Custo | Quem cobra | Quanto, em geral |
|---|---|---|---|
| Antes da proposta | Certidões do imóvel e do vendedor | Cartórios e órgãos públicos | Dezenas a poucas centenas de reais, conforme o estado |
| Análise do crédito | Tarifa de avaliação do imóvel | Banco | Exemplos: Itaú R$ 1.600 ou R$ 3.200; BRB até R$ 3.500 |
| Assinatura | Escritura pública (só se não houver financiamento bancário) | Tabelionato de notas | Tabela estadual, conforme o valor |
| Antes do registro | ITBI | Prefeitura | 1% a 3% do valor nas capitais pesquisadas |
| Registro | Emolumentos do registro de imóveis | Cartório de registro | Tabela estadual, conforme o valor |
| Todo mês | Seguros MIP e DFI e eventual tarifa de administração | Banco e seguradora | Entram na parcela |
| Depois da chave | Mudança, ligações, condomínio e IPTU proporcionais | Diversos | Variável |
ITBI: o maior custo de largada
O ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) é cobrado pela prefeitura e pago pelo comprador antes do registro. Em outubro de 2026, a alíquota geral é 3% em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, e 2% no Distrito Federal, com 1% na primeira venda de imóvel novo.
Em São Paulo, quem financia pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação) paga 0,5% sobre até R$ 120.968 do valor financiado, desde que o imóvel valha até R$ 725.808. O resto da base paga 3%. Os detalhes, inclusive a discussão sobre a base de cálculo no STJ, estão no artigo sobre ITBI.
Cartório: escritura e registro
Comprar um imóvel envolve dois atos diferentes de cartório, e muita gente confunde os dois.
Escritura é o documento que formaliza a compra, feito no tabelionato de notas. Registro é a anotação dessa compra na matrícula do imóvel, feita no Registro de Imóveis. Só o registro transfere a propriedade.
Quando há financiamento bancário, o contrato assinado com o banco tem força de escritura pública (Lei 9.514/1997, art. 38, e regras do SFH). Na prática, você não paga escritura no tabelionato, e leva o contrato direto ao Registro de Imóveis. Na compra à vista, ou em parcelamento direto com o vendedor, a escritura é necessária.
Os valores dependem do estado
Os emolumentos (as taxas dos cartórios) são definidos por lei estadual e reajustados todo ano. Não existe tabela nacional. O valor cresce por faixas conforme o preço do imóvel, e parte dele vai para o estado, o Tribunal de Justiça e fundos públicos.
Onde consultar:
- São Paulo: a tabela de 2026 entrou em vigor em 8 de janeiro. A de registro de imóveis está no site da Arisp (arisp.com.br), e a de escrituras no do Colégio Notarial (cnbsp.org.br).
- Outros estados: procure "tabela de emolumentos" no site do Tribunal de Justiça do seu estado ou da associação de registradores local. Muitos cartórios têm simulador no próprio site.
- Melhor caminho: ligue para o Registro de Imóveis onde o imóvel está matriculado e peça um orçamento com o valor da compra e do financiamento.
Desconto de 50% no primeiro imóvel
O artigo 290 da Lei 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos) reduz pela metade os emolumentos de atos ligados à primeira aquisição de imóvel residencial financiada pelo SFH. O desconto não é automático. Você pede ao protocolar o registro e apresenta prova de que não tem outro imóvel residencial. Em decisão da Corregedoria Nacional de Justiça (Pedido de Providências 0007496-70.2024), prevaleceu a leitura literal da regra: ter terreno ou sala comercial não impede o desconto, mas ter outro imóvel residencial impede. O desconto não vale para o ITBI.
Avaliação do imóvel pelo banco
Antes de aprovar o crédito, o banco manda um engenheiro ou arquiteto avaliar o imóvel, e cobra uma tarifa por isso. Exemplos de valores publicados pelos próprios bancos:
- Itaú: R$ 1.600 para imóveis avaliados até R$ 350 mil e R$ 3.200 acima disso, na página sobre compra com FGTS.
- BRB: tarifa máxima de R$ 3.500, segundo o formulário de proposta de novembro de 2025.
Se você desistir depois da vistoria, o banco pode cobrar a tarifa, desde que tenha avisado antes. Se for o banco que decide não contratar, a regra do Conselho Monetário Nacional (art. 8º-A da Resolução CMN 4.676/2018) proíbe cobrar os custos da avaliação. Compare esse valor entre bancos, porque ele entra no CET (Custo Efetivo Total) do contrato. O artigo sobre avaliação do imóvel pelo banco explica o que acontece se o laudo vier abaixo do preço.
Certidões e documentos
Antes de fechar negócio, você e o banco vão pedir certidões para checar se o imóvel e o vendedor estão livres de problemas. As mais comuns:
- Matrícula atualizada com ônus reais, emitida pelo Registro de Imóveis. Mostra quem é o dono e se há hipoteca, penhora ou outra restrição.
- Certidões do vendedor, como as de ações cíveis, trabalhistas e protestos, que mostram se há dívidas que possam atingir o imóvel.
- Certidão negativa de débitos de IPTU, emitida pela prefeitura.
- Declaração de quitação do condomínio, assinada pelo síndico ou pela administradora.
Algumas são gratuitas e outras são cobradas pelos cartórios, com valor definido na tabela estadual. A matrícula costuma ser exigida com emissão recente, e pode ser necessário pedir de novo se o processo demorar. A lista completa está no checklist de documentos para financiamento.
Custos que entram na parcela
Alguns custos não aparecem na largada, mas pesam todo mês:
- Seguros MIP e DFI. São obrigatórios no financiamento. O MIP (Morte e Invalidez Permanente) quita a dívida em caso de morte ou invalidez, e o DFI (Danos Físicos ao Imóvel) cobre danos como incêndio e desabamento. O MIP cresce com a idade de quem financia. Veja como funcionam em seguros MIP e DFI.
- Tarifa de administração. Alguns bancos cobram um valor mensal fixo pela gestão do contrato. Ele aparece no CET.
- Correção pela TR. A maioria dos contratos corrige o saldo pela TR (Taxa Referencial), que acumulou 2,00% em 12 meses até outubro de 2026.
Exemplo prático com números
Exemplo ilustrativo: apartamento usado de R$ 500.000 em São Paulo, com R$ 100.000 de entrada e R$ 400.000 financiados pelo SFH no Itaú, primeiro imóvel do comprador.
| Item | Valor estimado | Como chegamos |
|---|---|---|
| ITBI | R$ 11.975,80 | 0,5% sobre R$ 120.968 + 3% sobre R$ 379.032 |
| Tarifa de avaliação | R$ 3.200,00 | Imóvel acima de R$ 350 mil, tabela publicada pelo Itaú |
| Registro do contrato | consultar o cartório | Tabela da Arisp de 2026, com 50% de desconto por ser primeiro imóvel residencial pelo SFH |
| Certidões | consultar o cartório | Variam por estado e por quantidade de certidões |
| Subtotal conhecido | R$ 15.175,80 | Sem registro e certidões |
Só esses dois itens já equivalem a cerca de 3% do preço do imóvel, além dos R$ 100 mil da entrada. O registro e as certidões somam mais alguns milhares de reais, conforme a tabela do cartório. Sem financiamento, o ITBI seria R$ 15.000, mas não haveria tarifa de avaliação, e entraria a escritura no tabelionato.
Para saber quanto do valor o banco aceitaria financiar no seu caso, use o simulador de financiamento.
Erros comuns
- Juntar só a entrada. É o erro mais frequente. Sem dinheiro para o ITBI e o cartório, a compra trava entre a assinatura e o registro.
- Pedir avaliação em vários bancos. Se você desistir de um deles depois da vistoria, a tarifa pode ser cobrada. Faça a análise de crédito antes e escolha onde seguir.
- Não pedir o desconto do primeiro imóvel. O cartório só aplica se você solicitar e comprovar.
- Achar que a escritura é obrigatória no financiamento. Na maior parte dos casos, o contrato do banco já basta para o registro.
- Incluir tudo no financiamento sem fazer a conta. Financiar R$ 15 mil de custos a mais de 11% ao ano por 30 anos custa bem mais que R$ 15 mil.
- Ignorar condomínio e IPTU atrasados. Peça ao vendedor as certidões de quitação. Dívida de condomínio acompanha o imóvel.
Resumo e próximos passos
- Some ao valor da entrada pelo menos 3% a 5% do preço do imóvel para custos de largada.
- Confira a alíquota de ITBI e as reduções no site da prefeitura.
- Peça orçamento de registro ao cartório do imóvel e solicite o desconto de primeiro imóvel, se tiver direito.
- Compare a tarifa de avaliação e o CET entre bancos antes de pedir a avaliação.
- Verifique quanto de entrada cada banco e modalidade exige e simule a parcela no simulador de financiamento.
- Reserve uma folga para a mudança e para os primeiros meses: condomínio, IPTU proporcional, ligação de luz, gás e internet, e pequenos reparos.
Perguntas frequentes
Quanto custa, em porcentagem, comprar um imóvel além da entrada?
Depende da cidade e de haver financiamento. Estimativas de mercado ficam entre 3% e 5% do valor do imóvel, puxadas principalmente pelo ITBI. Faça a conta com os valores da sua prefeitura e da tabela do cartório do seu estado.
Preciso pagar escritura se vou financiar?
Em geral não. O contrato de financiamento assinado com o banco tem força de escritura pública. Você paga o registro desse contrato no Registro de Imóveis.
A tarifa de avaliação do banco é devolvida se o financiamento não sair?
Depende de quem desistiu. Pela Resolução CMN 4.676/2018 (art. 8º-A), o banco não pode cobrar a avaliação quando a operação não é contratada por decisão dele. Se a desistência for sua, a cobrança é permitida, desde que o banco tenha avisado antes e você tenha concordado.
Posso incluir ITBI e cartório no financiamento?
Alguns bancos aceitam incluir essas despesas no valor financiado, dentro do limite de crédito. Isso alivia o caixa agora, mas você paga juros sobre elas por anos.
Onde vejo a tabela de cartório do meu estado?
Cada Tribunal de Justiça e as associações de cartórios publicam a tabela anual. Em São Paulo, a de registro de imóveis fica no site da Arisp e a de notas no do Colégio Notarial (CNB-SP).
Fontes consultadas
- Prefeitura de São Paulo: ITBI, alíquotas e base de cálculo
- Anoreg/SP divulga tabela de custas e emolumentos de 2026
- Itaú: custos na compra de imóvel com FGTS (tarifa de avaliação)
- BRB: proposta de financiamento imobiliário (tarifa de avaliação e seguros)
- Sienge: desconto de 50% no registro do primeiro imóvel (art. 290 da Lei 6.015/1973)
- Smargiassi: quanto custa a escritura de um imóvel
- Banco Central: Resolução CMN 4.676/2018, art. 8º-A (tarifa de avaliação)
- Brasil Indicadores: TR mensal e acumulada em 12 meses
Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.