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Avaliação do imóvel pelo banco: como funciona e se vier baixa

Como o banco avalia o imóvel no financiamento, quanto custa a tarifa e o que fazer se o laudo vier abaixo do preço para não perder a compra, com exemplo.

Publicado em 19 de outubro de 20267 min de leituraPor Redação Guia Credituz

Resumo rápido

  • O banco contrata um engenheiro ou arquiteto para estimar o valor de mercado do imóvel, que define quanto ele aceita financiar.
  • A tarifa é paga pelo comprador. Se o banco decidir não contratar, ele não pode cobrá-la; se você desistir, pode. Exemplos publicados: Itaú R$ 1.600 ou R$ 3.200; BRB até R$ 3.500.
  • Se o laudo vier abaixo do preço, o crédito cai e a diferença sai do seu bolso, a menos que você renegocie, conteste ou troque de banco.
  • Na Caixa, desde 13 de outubro de 2025, a cota máxima no SFH é 80% do valor do imóvel.

A avaliação do imóvel é o laudo que o banco encomenda para saber quanto o imóvel vale no mercado antes de aprovar o financiamento. Um engenheiro ou arquiteto credenciado analisa documentos e, em muitos casos, visita o imóvel. O valor do laudo define quanto o banco aceita emprestar, porque o imóvel é a garantia da dívida. Quem paga é o comprador, por meio de uma tarifa. Se o laudo vier abaixo do preço combinado com o vendedor, o crédito diminui e você precisa cobrir a diferença, renegociar, contestar ou tentar outro banco.

Por que o banco avalia o imóvel

No financiamento com alienação fiduciária, o imóvel fica em nome do banco até a quitação. Se você deixar de pagar, ele pode retomar e leiloar o imóvel para recuperar o dinheiro. Por isso o banco quer saber se a garantia vale o que está sendo pago.

A avaliação também serve para:

  • Calcular a cota de financiamento, que é a porcentagem máxima do valor do imóvel que o banco financia.
  • Verificar o enquadramento no SFH. Desde 10 de outubro de 2025, pela Resolução CMN 5.255/2025, o limite do valor de avaliação para o SFH (Sistema Financeiro da Habitação) é R$ 2,25 milhões.
  • Calcular o seguro DFI, que incide sobre o valor de avaliação.
  • Checar se o imóvel existe como descrito: área, padrão, estado de conservação e se a construção bate com a matrícula.

Como funciona, passo a passo

  1. Aprovação de crédito. Primeiro o banco analisa a sua renda e o seu cadastro. Só depois pede a avaliação.
  2. Pagamento da tarifa. O banco cobra a tarifa de avaliação, em geral por débito em conta, antes ou depois do serviço.
  3. Envio de documentos. Matrícula atualizada do imóvel, IPTU, planta ou habite-se em alguns casos, e dados do vendedor.
  4. Vistoria. O avaliador agenda a visita com o vendedor ou o corretor. O Itaú informa que apartamentos costumam ter avaliação remota, feita a partir da matrícula, e casas costumam ter visita presencial.
  5. Laudo. O avaliador compara o imóvel com outros parecidos à venda ou vendidos na região, ajusta por área, idade, padrão e conservação, e chega a um valor. A referência técnica no Brasil é a norma ABNT NBR 14653.
  6. Resultado. O banco informa o valor de avaliação e, com ele, o valor máximo do financiamento.

O Itaú afirma que o avaliador é escolhido por sistema automático e não pode ter vínculo com o banco. Cada banco tem seu próprio cadastro de avaliadores.

O que o avaliador observa

O laudo não depende de opinião. O profissional segue critérios técnicos e anota, entre outros pontos:

  • Localização: rua, bairro, acesso a transporte e comércio, vizinhança.
  • Área privativa e área total, conferidas com a matrícula e o IPTU.
  • Idade e estado de conservação do imóvel e do prédio.
  • Padrão de acabamento: pisos, esquadrias, cozinha e banheiros.
  • Itens que valorizam: vagas de garagem, lazer do condomínio, vista, andar.
  • Problemas visíveis: infiltração, rachaduras, obras sem regularização.
  • Imóveis comparáveis: anúncios e vendas recentes de unidades parecidas na região.

Construção que não aparece na matrícula, como um cômodo a mais numa casa, costuma ser desconsiderada ou até impedir o financiamento até a regularização.

Prazo e validade do laudo

O tempo entre o pedido e o laudo varia por banco, cidade e tipo de imóvel. Avaliação remota de apartamento tende a ser mais rápida que vistoria presencial de casa. O laudo também tem prazo de validade definido pelo banco. Se a assinatura do contrato atrasar muito, por pendência de documento do vendedor, por exemplo, pode ser preciso refazer a avaliação e pagar de novo. Pergunte esses dois prazos ao gerente antes de começar.

Quanto custa a avaliação

A tarifa é livre e cada banco publica a sua. Exemplos encontrados em páginas oficiais:

Banco Tarifa de avaliação Fonte e data
Itaú R$ 1.600 até R$ 350 mil de avaliação; R$ 3.200 acima Página de atendimento do Itaú, consultada em outubro de 2026
BRB Até R$ 3.500 Formulário de proposta de novembro de 2025

Os demais bancos publicam a tarifa em suas tabelas de tarifas e no CET (Custo Efetivo Total) da simulação. Duas regras valem para todos:

  • Quem decide não contratar muda tudo. Pelo art. 8º-A da Resolução CMN 4.676/2018, em vigor desde 1º de junho de 2022, o banco não pode cobrar os custos da avaliação quando a operação não é contratada por decisão dele. Se você desistir depois da vistoria, a cobrança é permitida, desde que o banco tenha informado antes o valor máximo e essa possibilidade. Formulários que dizem que a tarifa nunca é estornada não se sobrepõem a essa regra.
  • A avaliação não garante o financiamento. Ela é só uma etapa.

Por isso, peça avaliação apenas no banco em que você pretende fechar. Pedir em três bancos ao mesmo tempo pode custar três tarifas.

Quanto o banco financia a partir do laudo

A cota de financiamento é aplicada sobre o valor do imóvel considerado pelo banco. Exemplos:

  • A Caixa passou a financiar até 80% do valor do imóvel em operações do SFH a partir de 13 de outubro de 2025, com entrada mínima de 20%.
  • A cartilha do Bradesco informa que, no SFH, pode ser financiado até 80% do valor de avaliação do imóvel residencial.

Muitos bancos usam como base o menor valor entre o preço de compra e a avaliação. Na prática, isso quer dizer que uma avaliação acima do preço não libera crédito extra, mas uma avaliação abaixo reduz o crédito. Confira a regra exata na proposta do seu banco. O artigo sobre entrada para financiar imóvel mostra as cotas por modalidade.

Exemplo prático: avaliação abaixo do preço

Exemplo ilustrativo: você combinou pagar R$ 500.000 por um apartamento e tem R$ 100.000 de entrada. O banco financia até 80% do menor valor entre preço e avaliação.

Cenário Valor de avaliação Crédito máximo (80%) Você precisa pagar com recursos próprios
Avaliação igual ao preço R$ 500.000 R$ 400.000 R$ 100.000
Avaliação 6% abaixo R$ 470.000 R$ 376.000 R$ 124.000
Avaliação 10% abaixo R$ 450.000 R$ 360.000 R$ 140.000

No segundo cenário, faltam R$ 24 mil. No terceiro, R$ 40 mil. Isso sem contar ITBI, cartório e a própria tarifa de avaliação, listados em custos para comprar imóvel. Faça essa conta para o seu caso no simulador de financiamento.

O que fazer se a avaliação vier abaixo do preço

Você tem cinco caminhos, que podem ser combinados.

1. Renegociar o preço com o vendedor

O laudo de um profissional independente é um argumento forte. Mostre o número ao vendedor e proponha reduzir o preço até perto da avaliação. Muitos vendedores preferem baixar um pouco a recomeçar a venda.

2. Completar a diferença com recursos próprios

Se o imóvel vale a pena para você, aumente a entrada. Lembre que o FGTS pode entrar como recurso próprio, dentro das regras, conforme explica o artigo sobre FGTS na compra do imóvel.

3. Pedir reavaliação

Você pode contestar o laudo com o banco. Ajuda apresentar:

  • Erros objetivos: metragem diferente da matrícula, número de vagas errado, padrão de acabamento ou reforma recente não considerados.
  • Anúncios e, melhor ainda, vendas registradas de imóveis parecidos no mesmo prédio ou na mesma rua.
  • Fotos de melhorias que não apareceram na avaliação.

O banco pode aceitar ou manter o valor. Pergunte se haverá nova tarifa.

4. Tentar outro banco

Outro banco faz outra avaliação, com outro profissional e outra amostra. O resultado pode ser diferente. O custo é pagar outra tarifa e esperar mais.

5. Desistir da compra

Se o contrato de compra e venda tiver cláusula condicionando o negócio à aprovação do financiamento, você pode ter direito de desistir sem multa. Leia essa cláusula antes de assinar qualquer sinal. Em dúvida, consulte um advogado.

Erros comuns e como evitar

  • Assinar o compromisso de compra sem cláusula de financiamento. Sem ela, uma avaliação baixa pode fazer você perder o sinal.
  • Ignorar pendências na matrícula. Área construída maior que a registrada, ou obra sem averbação, pode reduzir a avaliação ou travar o crédito.
  • Pedir avaliação antes da aprovação de crédito. Se a renda não for aprovada, você perde tempo e, se já tiver pago, precisa pedir a devolução, porque a recusa partiu do banco. Veja os motivos mais comuns de recusa em financiamento negado.
  • Achar que avaliação alta é vantagem. Ela raramente libera mais crédito e aumenta o seguro DFI.
  • Não estar presente na vistoria. Em casas, acompanhar a visita permite mostrar reformas e tirar dúvidas do avaliador.

Resumo e próximos passos

A avaliação diz ao banco quanto o imóvel vale como garantia e limita o seu crédito. Você paga a tarifa se contratar ou se desistir por conta própria; se o banco recusar, ele não pode cobrá-la. Se o laudo vier baixo, renegocie com o vendedor, complete a entrada, conteste com dados ou tente outro banco.

Antes de pedir a avaliação, confirme quanto você pode financiar pela sua renda na calculadora de quanto posso financiar e verifique se a matrícula está em ordem.

Perguntas frequentes

Quanto custa a avaliação do imóvel para financiamento?

Cada banco tem sua tarifa. O Itaú publica R$ 1.600 para imóveis até R$ 350 mil e R$ 3.200 acima disso. O BRB informa máximo de R$ 3.500. Confira a tabela de tarifas do banco antes de pedir.

A avaliação do banco pode ser contestada?

Pode. Você pede reavaliação apresentando anúncios e vendas de imóveis parecidos na mesma região, ou erros do laudo, como metragem ou padrão de acabamento errados. O banco não é obrigado a mudar o valor.

Quanto tempo vale o laudo de avaliação?

Depende do banco. Em geral o laudo tem validade de alguns meses. Se a assinatura atrasar, pode ser preciso nova avaliação e nova tarifa. Pergunte o prazo ao gerente.

Posso usar o laudo de um banco em outro?

Normalmente não. Cada banco contrata sua própria avaliação, com engenheiros credenciados por ele, e cobra a tarifa de novo.

A avaliação alta aumenta o meu financiamento?

Não costuma aumentar. Muitos bancos limitam o crédito ao menor valor entre o preço de compra e a avaliação, então avaliar acima do preço não libera crédito extra.

Fontes consultadas

  1. Itaú: custos na compra de imóvel com FGTS (tarifa de avaliação)
  2. Itaú: como funciona a avaliação do imóvel
  3. BRB: proposta de financiamento imobiliário (tarifa de avaliação)
  4. Bradesco: cartilha de crédito imobiliário
  5. Portas: Caixa começa a liberar crédito de até 80% do valor do imóvel (out. 2025)
  6. Banco Central: Resolução CMN 4.676/2018, art. 8º-A (tarifa de avaliação)
  7. Resolução CMN 5.255/2025: teto do SFH em R$ 2,25 milhões

Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.

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