Avaliação do imóvel pelo banco: como funciona e se vier baixa
Como o banco avalia o imóvel no financiamento, quanto custa a tarifa e o que fazer se o laudo vier abaixo do preço para não perder a compra, com exemplo.
Resumo rápido
- O banco contrata um engenheiro ou arquiteto para estimar o valor de mercado do imóvel, que define quanto ele aceita financiar.
- A tarifa é paga pelo comprador. Se o banco decidir não contratar, ele não pode cobrá-la; se você desistir, pode. Exemplos publicados: Itaú R$ 1.600 ou R$ 3.200; BRB até R$ 3.500.
- Se o laudo vier abaixo do preço, o crédito cai e a diferença sai do seu bolso, a menos que você renegocie, conteste ou troque de banco.
- Na Caixa, desde 13 de outubro de 2025, a cota máxima no SFH é 80% do valor do imóvel.
A avaliação do imóvel é o laudo que o banco encomenda para saber quanto o imóvel vale no mercado antes de aprovar o financiamento. Um engenheiro ou arquiteto credenciado analisa documentos e, em muitos casos, visita o imóvel. O valor do laudo define quanto o banco aceita emprestar, porque o imóvel é a garantia da dívida. Quem paga é o comprador, por meio de uma tarifa. Se o laudo vier abaixo do preço combinado com o vendedor, o crédito diminui e você precisa cobrir a diferença, renegociar, contestar ou tentar outro banco.
Por que o banco avalia o imóvel
No financiamento com alienação fiduciária, o imóvel fica em nome do banco até a quitação. Se você deixar de pagar, ele pode retomar e leiloar o imóvel para recuperar o dinheiro. Por isso o banco quer saber se a garantia vale o que está sendo pago.
A avaliação também serve para:
- Calcular a cota de financiamento, que é a porcentagem máxima do valor do imóvel que o banco financia.
- Verificar o enquadramento no SFH. Desde 10 de outubro de 2025, pela Resolução CMN 5.255/2025, o limite do valor de avaliação para o SFH (Sistema Financeiro da Habitação) é R$ 2,25 milhões.
- Calcular o seguro DFI, que incide sobre o valor de avaliação.
- Checar se o imóvel existe como descrito: área, padrão, estado de conservação e se a construção bate com a matrícula.
Como funciona, passo a passo
- Aprovação de crédito. Primeiro o banco analisa a sua renda e o seu cadastro. Só depois pede a avaliação.
- Pagamento da tarifa. O banco cobra a tarifa de avaliação, em geral por débito em conta, antes ou depois do serviço.
- Envio de documentos. Matrícula atualizada do imóvel, IPTU, planta ou habite-se em alguns casos, e dados do vendedor.
- Vistoria. O avaliador agenda a visita com o vendedor ou o corretor. O Itaú informa que apartamentos costumam ter avaliação remota, feita a partir da matrícula, e casas costumam ter visita presencial.
- Laudo. O avaliador compara o imóvel com outros parecidos à venda ou vendidos na região, ajusta por área, idade, padrão e conservação, e chega a um valor. A referência técnica no Brasil é a norma ABNT NBR 14653.
- Resultado. O banco informa o valor de avaliação e, com ele, o valor máximo do financiamento.
O Itaú afirma que o avaliador é escolhido por sistema automático e não pode ter vínculo com o banco. Cada banco tem seu próprio cadastro de avaliadores.
O que o avaliador observa
O laudo não depende de opinião. O profissional segue critérios técnicos e anota, entre outros pontos:
- Localização: rua, bairro, acesso a transporte e comércio, vizinhança.
- Área privativa e área total, conferidas com a matrícula e o IPTU.
- Idade e estado de conservação do imóvel e do prédio.
- Padrão de acabamento: pisos, esquadrias, cozinha e banheiros.
- Itens que valorizam: vagas de garagem, lazer do condomínio, vista, andar.
- Problemas visíveis: infiltração, rachaduras, obras sem regularização.
- Imóveis comparáveis: anúncios e vendas recentes de unidades parecidas na região.
Construção que não aparece na matrícula, como um cômodo a mais numa casa, costuma ser desconsiderada ou até impedir o financiamento até a regularização.
Prazo e validade do laudo
O tempo entre o pedido e o laudo varia por banco, cidade e tipo de imóvel. Avaliação remota de apartamento tende a ser mais rápida que vistoria presencial de casa. O laudo também tem prazo de validade definido pelo banco. Se a assinatura do contrato atrasar muito, por pendência de documento do vendedor, por exemplo, pode ser preciso refazer a avaliação e pagar de novo. Pergunte esses dois prazos ao gerente antes de começar.
Quanto custa a avaliação
A tarifa é livre e cada banco publica a sua. Exemplos encontrados em páginas oficiais:
| Banco | Tarifa de avaliação | Fonte e data |
|---|---|---|
| Itaú | R$ 1.600 até R$ 350 mil de avaliação; R$ 3.200 acima | Página de atendimento do Itaú, consultada em outubro de 2026 |
| BRB | Até R$ 3.500 | Formulário de proposta de novembro de 2025 |
Os demais bancos publicam a tarifa em suas tabelas de tarifas e no CET (Custo Efetivo Total) da simulação. Duas regras valem para todos:
- Quem decide não contratar muda tudo. Pelo art. 8º-A da Resolução CMN 4.676/2018, em vigor desde 1º de junho de 2022, o banco não pode cobrar os custos da avaliação quando a operação não é contratada por decisão dele. Se você desistir depois da vistoria, a cobrança é permitida, desde que o banco tenha informado antes o valor máximo e essa possibilidade. Formulários que dizem que a tarifa nunca é estornada não se sobrepõem a essa regra.
- A avaliação não garante o financiamento. Ela é só uma etapa.
Por isso, peça avaliação apenas no banco em que você pretende fechar. Pedir em três bancos ao mesmo tempo pode custar três tarifas.
Quanto o banco financia a partir do laudo
A cota de financiamento é aplicada sobre o valor do imóvel considerado pelo banco. Exemplos:
- A Caixa passou a financiar até 80% do valor do imóvel em operações do SFH a partir de 13 de outubro de 2025, com entrada mínima de 20%.
- A cartilha do Bradesco informa que, no SFH, pode ser financiado até 80% do valor de avaliação do imóvel residencial.
Muitos bancos usam como base o menor valor entre o preço de compra e a avaliação. Na prática, isso quer dizer que uma avaliação acima do preço não libera crédito extra, mas uma avaliação abaixo reduz o crédito. Confira a regra exata na proposta do seu banco. O artigo sobre entrada para financiar imóvel mostra as cotas por modalidade.
Exemplo prático: avaliação abaixo do preço
Exemplo ilustrativo: você combinou pagar R$ 500.000 por um apartamento e tem R$ 100.000 de entrada. O banco financia até 80% do menor valor entre preço e avaliação.
| Cenário | Valor de avaliação | Crédito máximo (80%) | Você precisa pagar com recursos próprios |
|---|---|---|---|
| Avaliação igual ao preço | R$ 500.000 | R$ 400.000 | R$ 100.000 |
| Avaliação 6% abaixo | R$ 470.000 | R$ 376.000 | R$ 124.000 |
| Avaliação 10% abaixo | R$ 450.000 | R$ 360.000 | R$ 140.000 |
No segundo cenário, faltam R$ 24 mil. No terceiro, R$ 40 mil. Isso sem contar ITBI, cartório e a própria tarifa de avaliação, listados em custos para comprar imóvel. Faça essa conta para o seu caso no simulador de financiamento.
O que fazer se a avaliação vier abaixo do preço
Você tem cinco caminhos, que podem ser combinados.
1. Renegociar o preço com o vendedor
O laudo de um profissional independente é um argumento forte. Mostre o número ao vendedor e proponha reduzir o preço até perto da avaliação. Muitos vendedores preferem baixar um pouco a recomeçar a venda.
2. Completar a diferença com recursos próprios
Se o imóvel vale a pena para você, aumente a entrada. Lembre que o FGTS pode entrar como recurso próprio, dentro das regras, conforme explica o artigo sobre FGTS na compra do imóvel.
3. Pedir reavaliação
Você pode contestar o laudo com o banco. Ajuda apresentar:
- Erros objetivos: metragem diferente da matrícula, número de vagas errado, padrão de acabamento ou reforma recente não considerados.
- Anúncios e, melhor ainda, vendas registradas de imóveis parecidos no mesmo prédio ou na mesma rua.
- Fotos de melhorias que não apareceram na avaliação.
O banco pode aceitar ou manter o valor. Pergunte se haverá nova tarifa.
4. Tentar outro banco
Outro banco faz outra avaliação, com outro profissional e outra amostra. O resultado pode ser diferente. O custo é pagar outra tarifa e esperar mais.
5. Desistir da compra
Se o contrato de compra e venda tiver cláusula condicionando o negócio à aprovação do financiamento, você pode ter direito de desistir sem multa. Leia essa cláusula antes de assinar qualquer sinal. Em dúvida, consulte um advogado.
Erros comuns e como evitar
- Assinar o compromisso de compra sem cláusula de financiamento. Sem ela, uma avaliação baixa pode fazer você perder o sinal.
- Ignorar pendências na matrícula. Área construída maior que a registrada, ou obra sem averbação, pode reduzir a avaliação ou travar o crédito.
- Pedir avaliação antes da aprovação de crédito. Se a renda não for aprovada, você perde tempo e, se já tiver pago, precisa pedir a devolução, porque a recusa partiu do banco. Veja os motivos mais comuns de recusa em financiamento negado.
- Achar que avaliação alta é vantagem. Ela raramente libera mais crédito e aumenta o seguro DFI.
- Não estar presente na vistoria. Em casas, acompanhar a visita permite mostrar reformas e tirar dúvidas do avaliador.
Resumo e próximos passos
A avaliação diz ao banco quanto o imóvel vale como garantia e limita o seu crédito. Você paga a tarifa se contratar ou se desistir por conta própria; se o banco recusar, ele não pode cobrá-la. Se o laudo vier baixo, renegocie com o vendedor, complete a entrada, conteste com dados ou tente outro banco.
Antes de pedir a avaliação, confirme quanto você pode financiar pela sua renda na calculadora de quanto posso financiar e verifique se a matrícula está em ordem.
Perguntas frequentes
Quanto custa a avaliação do imóvel para financiamento?
Cada banco tem sua tarifa. O Itaú publica R$ 1.600 para imóveis até R$ 350 mil e R$ 3.200 acima disso. O BRB informa máximo de R$ 3.500. Confira a tabela de tarifas do banco antes de pedir.
A avaliação do banco pode ser contestada?
Pode. Você pede reavaliação apresentando anúncios e vendas de imóveis parecidos na mesma região, ou erros do laudo, como metragem ou padrão de acabamento errados. O banco não é obrigado a mudar o valor.
Quanto tempo vale o laudo de avaliação?
Depende do banco. Em geral o laudo tem validade de alguns meses. Se a assinatura atrasar, pode ser preciso nova avaliação e nova tarifa. Pergunte o prazo ao gerente.
Posso usar o laudo de um banco em outro?
Normalmente não. Cada banco contrata sua própria avaliação, com engenheiros credenciados por ele, e cobra a tarifa de novo.
A avaliação alta aumenta o meu financiamento?
Não costuma aumentar. Muitos bancos limitam o crédito ao menor valor entre o preço de compra e a avaliação, então avaliar acima do preço não libera crédito extra.
Fontes consultadas
- Itaú: custos na compra de imóvel com FGTS (tarifa de avaliação)
- Itaú: como funciona a avaliação do imóvel
- BRB: proposta de financiamento imobiliário (tarifa de avaliação)
- Bradesco: cartilha de crédito imobiliário
- Portas: Caixa começa a liberar crédito de até 80% do valor do imóvel (out. 2025)
- Banco Central: Resolução CMN 4.676/2018, art. 8º-A (tarifa de avaliação)
- Resolução CMN 5.255/2025: teto do SFH em R$ 2,25 milhões
Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.