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Comprar imóvel para alugar: rentabilidade bruta e líquida

Calcule a rentabilidade real de comprar imóvel para alugar: vacância, IPTU, condomínio, manutenção, IR no carnê-leão e comparação com a renda fixa em 2026.

Publicado em 19 de outubro de 20269 min de leituraPor Redação Guia Credituz

Resumo rápido

  • A rentabilidade bruta média do aluguel residencial era de 6,13% ao ano em setembro de 2026, segundo o FipeZap. Depois dos custos, sobra bem menos.
  • No exemplo de R$ 400 mil, a rentabilidade líquida do primeiro ano caiu para 4,2% sem IR e 2,9% para quem paga IR na alíquota de 27,5%.
  • O aluguel é tributado pela tabela progressiva do IR. Recebido de pessoa física, é pago mensalmente no carnê-leão; de empresa, é retido na fonte.
  • Para empatar com a renda fixa a 100% do CDI de outubro de 2026 em 10 anos, o imóvel do exemplo precisaria valorizar de 8,2% a 9,8% ao ano.
  • Imóvel para renda faz mais sentido com juros baixos, compra abaixo do preço de mercado ou aluguel acima da média da região.

Comprar imóvel para alugar rende, em média, bem menos do que o anúncio sugere. Em setembro de 2026, o aluguel residencial anunciado equivalia a 6,13% ao ano do preço do imóvel, segundo o Índice FipeZAP. Essa é a rentabilidade bruta. Depois de descontar vacância, administração, manutenção, IPTU e condomínio nos meses vazios e imposto de renda, sobra algo entre 2,9% e 4,2% ao ano no exemplo deste guia. Com o CDI em 13,65% ao ano em outubro de 2026, uma aplicação de renda fixa a 100% do CDI rendia cerca de 11,6% líquidos no prazo longo. Para o imóvel compensar, a valorização precisa fazer o resto do trabalho, e no exemplo ela teria de passar de 8% ao ano.

Rentabilidade bruta e líquida: a diferença

Rentabilidade bruta é o aluguel de 12 meses dividido pelo preço do imóvel. Um apartamento de R$ 400 mil alugado por R$ 2.043 por mês tem rentabilidade bruta de 6,13% ao ano.

Rentabilidade líquida é o que sobra no seu bolso, dividido por tudo que você gastou para ter o imóvel (preço mais custos de compra). Ela desconta:

Custo O que é Quem paga, em regra
Vacância Meses sem inquilino, entre um contrato e outro Dono: fica sem aluguel e paga condomínio e IPTU
Taxa de administração Remuneração da imobiliária que cuida do contrato Dono
Primeiro aluguel ou taxa de locação Comissão da imobiliária para achar o inquilino, quando cobrada Dono
Manutenção Reparos estruturais, pintura entre inquilinos, troca de itens Dono, salvo danos causados pelo inquilino
IPTU Imposto municipal Dono, salvo se o contrato passar ao inquilino (Lei 8.245/1991, art. 22, VIII); dono, nos meses vazios
Condomínio ordinário Despesas do dia a dia do prédio Inquilino (Lei 8.245/1991, art. 23, XII); dono, nos meses vazios
Condomínio extraordinário Obras e melhorias do prédio, fundo de reserva Dono (Lei 8.245/1991, art. 22, X)
Imposto de renda Sobre o aluguel recebido Dono
Custos da compra ITBI, escritura, registro Dono, uma vez

As taxas de imobiliária variam por cidade e por empresa. Peça a tabela por escrito antes de assinar o contrato de administração.

O imposto de renda sobre o aluguel

O aluguel é rendimento tributável e segue a tabela progressiva do IR, a mesma do salário. O jeito de pagar depende de quem é o inquilino:

  • Inquilino pessoa física: você mesmo calcula e paga pelo carnê-leão, no e-CAC da Receita Federal. O DARF (código 0190) vence no último dia útil do mês seguinte ao recebimento.
  • Inquilino empresa: a empresa retém o imposto na fonte e envia um informe de rendimentos. Você não usa o carnê-leão para esse aluguel.

O que dá para deduzir

Do aluguel recebido, você pode descontar antes de calcular o imposto (Regulamento do IR, Decreto 9.580/2018, art. 42):

  • IPTU do imóvel pago por você;
  • condomínio pago por você;
  • taxa de administração ou comissão paga à imobiliária para cobrar ou receber o aluguel.

Se o contrato põe IPTU e condomínio por conta do inquilino, você não pode deduzir, mesmo que o boleto venha no seu nome.

A tabela de 2026

Desde janeiro de 2026, a tabela mensal da Receita Federal é esta:

Base de cálculo mensal Alíquota Parcela a deduzir
Até R$ 2.428,80 isento
De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65 7,5% R$ 182,16
De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 15% R$ 394,16
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 22,5% R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,68 27,5% R$ 908,73

Além disso, a Lei 15.270/2025 criou uma redução do imposto para rendimentos sujeitos à incidência mensal: até R$ 5.000 por mês, o imposto mensal fica zerado; entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, a redução diminui aos poucos até sumir. A Receita publicou orientação de cálculo que inclui quem recolhe pelo carnê-leão.

O ponto que pega muita gente: o carnê-leão é calculado só sobre o aluguel do mês. Se você tem salário, o imposto mensal sobre um aluguel pequeno pode ser zero. Mas no ajuste anual da declaração, o aluguel soma com o salário. Quem ganha bem acaba pagando a diferença na alíquota mais alta, de 27,5%. Por isso, a simulação abaixo mostra dois casos: dono sem outra renda tributável relevante e dono que já está na faixa de 27,5%.

Simulação: apartamento de R$ 400 mil para alugar

Exemplo ilustrativo, calculado em Python. Premissas:

  • Preço: R$ 400.000, comprado à vista. Custos de compra de 4,5% (R$ 18.000), somando ITBI e cartório.
  • Aluguel: R$ 2.043 por mês, ou 6,13% ao ano do preço (média do Índice FipeZAP de setembro de 2026).
  • Inquilino paga IPTU e condomínio. Nos meses vazios, o dono paga: condomínio de R$ 600 e IPTU de R$ 200 por mês.
  • Vacância de 1 mês por ano.
  • Taxa de administração de 10% do aluguel recebido (valor de exemplo).
  • Manutenção de 0,5% do valor do imóvel por ano (R$ 2.000).
  • IR: 0% no caso de quem não tem outra renda relevante; 27,5% sobre o aluguel menos as deduções (administração e o condomínio e IPTU pagos no mês vazio) no caso de quem já está na faixa mais alta, com o acerto no ajuste anual.

Primeiro ano

Item Valor no ano
Aluguel potencial (12 meses) R$ 24.520
Aluguel recebido (11 meses) R$ 22.477
Taxa de administração R$ 2.248
Condomínio e IPTU no mês vazio R$ 800
Manutenção R$ 2.000
Sobra sem IR R$ 17.429
IR a 27,5% sobre a base dedutível R$ 5.343
Sobra com IR de 27,5% R$ 12.086
Rentabilidade Valor
Bruta (aluguel ÷ preço) 6,13% ao ano
Líquida sem IR (sobra ÷ R$ 418 mil investidos) 4,17% ao ano
Líquida com IR de 27,5% 2,89% ao ano

Com 2 meses vazios por ano, ou uma reforma maior entre inquilinos, a líquida cai mais.

Dez anos: imóvel alugado contra renda fixa

Agora o quadro completo, incluindo a valorização. Premissas adicionais:

  • Aluguel reajustado uma vez por ano pela mesma taxa de valorização do imóvel. Condomínio e IPTU corrigidos uma vez por ano pelo IPCA de 4,58%. Manutenção de 0,5% ao ano do valor atualizado do imóvel.
  • A sobra mensal do aluguel é investida a 100% do CDI, com IR de 15% descontado do rendimento de cada mês.
  • No fim de 10 anos, o imóvel é vendido. Paga-se 15% de imposto sobre o ganho de capital (venda menos preço e custos de compra), a alíquota para ganhos de até R$ 5 milhões (Lei 13.259/2016). A conta ignora a corretagem da venda, o que favorece o imóvel, e os fatores de redução do ganho previstos na Lei 11.196/2005, o que o prejudica um pouco.
  • Alternativa: os mesmos R$ 418 mil aplicados a 100% do CDI, com IR de 15%, por 10 anos.
CDI Valorização ao ano Imóvel (sem IR no aluguel) Imóvel (IR de 27,5% no aluguel) Renda fixa
13,65% 5,5% R$ 1.026.612 R$ 909.084 R$ 1.241.347
13,65% 4,0% R$ 926.862 R$ 816.132 R$ 1.241.347
12,00% 5,5% R$ 1.002.166 R$ 892.147 R$ 1.096.037
10,00% 5,5% R$ 974.767 R$ 873.164 R$ 940.207
10,00% 4,0% R$ 876.984 R$ 781.577 R$ 940.207

Valorização anual necessária para o imóvel empatar com a renda fixa em 10 anos:

CDI mantido por 10 anos Sem IR no aluguel Com IR de 27,5% no aluguel
13,65% 8,2% 9,8%
12,00% 6,8% 8,3%
10,00% 5,0% 6,5%

Para comparação, o Índice FipeZAP de venda residencial subiu 5,51% nos 12 meses até setembro de 2026. No cenário de juros de outubro de 2026, o imóvel alugado perde para a renda fixa com valorização parecida com essa. Só quando o CDI cai para perto de 10% e fica lá, e o dono não paga IR sobre o aluguel, o imóvel passa à frente.

A conta de quem mora no imóvel é diferente, porque deixa de pagar aluguel. Ela está em alugar ou comprar.

E se comprar financiado para alugar?

Financiar para alugar costuma piorar a conta com juros altos. Em outubro de 2026, a média dos grandes bancos era de cerca de 11,4% ao ano mais TR, ou cerca de 13,6% ao ano no total. O aluguel bruto de 6,13% não cobre nem os juros. Na prática, o aluguel paga só parte da parcela e o dono completa com o salário, apostando na valorização.

Outro ponto: as condições mais baratas, como as linhas com FGTS e o Minha Casa Minha Vida, exigem que o imóvel seja para moradia do comprador. Para investimento, valem as linhas de mercado, e o FGTS não pode ser usado.

O que melhora a conta

A média é só a média. Alguns fatores mudam muito o resultado:

  • Comprar abaixo do preço de mercado. Cada 10% de desconto na compra aumenta a rentabilidade na mesma proporção. Imóveis de leilão e retomados podem oferecer isso, com riscos próprios.
  • Rentabilidade local maior. O rendimento do aluguel varia por cidade, bairro e tipo de imóvel. Imóveis menores costumam ter rendimento percentual maior. Compare o aluguel de imóveis parecidos na mesma rua antes de comprar.
  • Baixa vacância. Perto de transporte, universidades e empregos, o imóvel fica menos tempo vazio.
  • Juros em queda. Se a Selic cair muito, a renda fixa rende menos e o imóvel fica relativamente mais atraente.
  • Imóvel novo ou usado. O novo tende a ter menos manutenção nos primeiros anos; o usado pode ter preço menor por metro quadrado. Veja as diferenças em imóvel novo ou usado.

Riscos que a planilha não mostra

  • Inadimplência. O inquilino pode atrasar ou parar de pagar, e a ação de despejo leva tempo. Garantias como seguro-fiança e caução reduzem o risco, mas não o eliminam.
  • Liquidez baixa. Vender um imóvel pode levar meses, e com desconto.
  • Concentração. Muito patrimônio num único bem, numa única cidade.
  • Mudanças de regra. Tributação, legislação de locação e regras de condomínio podem mudar.
  • Tempo e dor de cabeça. Mesmo com imobiliária, você decide sobre reformas, inquilinos e conflitos.

Erros comuns

  • Olhar só a rentabilidade bruta. O anúncio mostra 6%; o bolso vê 3% ou 4%.
  • Esquecer o IR no ajuste anual. O carnê-leão zerado no mês não significa imposto zerado no ano.
  • Não declarar o aluguel. A Receita cruza dados de imobiliárias, cartórios e da declaração do inquilino. Multa e juros saem caros.
  • Não guardar dinheiro para vacância e reparos. Um mês vazio e uma troca de piso consomem a sobra de um ano.
  • Ignorar os custos de compra e venda. ITBI, cartório e corretagem pesam muito em prazos curtos. Veja custos para comprar imóvel.

Resumo

Comprar imóvel para alugar rende, em média, 6,13% ao ano bruto (Índice FipeZAP, setembro de 2026) e, no exemplo deste guia, entre 2,9% e 4,2% líquido, conforme vacância, custos e imposto. O aluguel é tributado pela tabela progressiva, no carnê-leão quando o inquilino é pessoa física, e soma com as outras rendas no ajuste anual. Com o CDI de outubro de 2026, a renda fixa rendeu mais na maioria dos cenários de 10 anos. O imóvel compensa quando comprado com desconto, numa região de aluguel acima da média ou num cenário de juros mais baixos. Antes de comprar, faça a conta com o aluguel real da rua e a sua alíquota de IR. Se você ainda está decidindo como pagar, o guia comprar à vista ou financiar ajuda.

Perguntas frequentes

Quanto rende um imóvel alugado?

Em setembro de 2026, o aluguel médio anunciado equivalia a 6,13% ao ano do preço do imóvel, segundo o FipeZap. Isso é a rentabilidade bruta. Depois de vacância, administração, manutenção e imposto, o rendimento líquido do exemplo deste guia ficou entre 2,9% e 4,2% ao ano.

Como pagar imposto sobre aluguel recebido de pessoa física?

Pelo carnê-leão, no e-CAC da Receita, com DARF (código 0190) pago até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento. O cálculo usa a tabela progressiva mensal, e o valor entra depois no ajuste anual com os seus outros rendimentos.

O que posso deduzir do aluguel no imposto de renda?

IPTU e condomínio pagos por você, dono, e a taxa de administração ou comissão paga à imobiliária para cobrar o aluguel (Decreto 9.580/2018, art. 42). Se o contrato põe IPTU e condomínio por conta do inquilino, você não pode deduzir.

Quem ganha até R$ 5 mil de aluguel paga imposto?

Desde janeiro de 2026, a Lei 15.270/2025 zera o imposto mensal para rendimentos tributáveis de até R$ 5 mil por mês. Mas no ajuste anual o aluguel soma com salário e outras rendas, e quem tem renda total maior pode pagar imposto no ajuste.

É melhor comprar imóvel para alugar ou investir em renda fixa?

Com o CDI de 13,65% de outubro de 2026, a renda fixa rendeu mais em todos os cenários da nossa simulação com esse CDI. O imóvel só empatou com valorização bem acima da média recente. Com juros mais baixos, a conta muda.

Fontes consultadas

  1. Fipe: Índice FipeZAP de locação residencial, setembro de 2026 (rentabilidade de 6,13%)
  2. Fipe: Índice FipeZAP de venda residencial, setembro de 2026 (alta de 5,51% em 12 meses)
  3. Receita Federal: tabelas do IRPF 2026 e redução da Lei 15.270/2025
  4. COAD: Receita orienta cálculo da redução do IR a partir de janeiro de 2026 (inclui carnê-leão)
  5. Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 9.580/2018, art. 42: deduções do aluguel (Planalto)
  6. Gazeta SP: carnê-leão e aluguel em 2026 (DARF código 0190)
  7. Lei 13.259/2016: alíquota de 15% sobre ganho de capital até R$ 5 milhões (Planalto)
  8. Lei do Inquilinato, Lei 8.245/1991, arts. 22 e 23 (Planalto)
  9. MySide: radar de taxas do financiamento imobiliário (out. 2026)
  10. Banco Central, SGS série 4389: CDI anualizado (13,65% em 15/10/2026)

Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.

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