Minha Casa Minha Vida Faixa 1: renda, subsídio, parcela e inscrição
Quem pode entrar na Faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, quanto se paga de prestação, como funciona o subsídio e como se inscrever pelo CadÚnico e pela prefeitura.
Resumo rápido
- A Faixa 1 urbana atende famílias com renda bruta de até R$ 3.200 por mês, limite em vigor desde 1º de abril de 2026.
- Há dois caminhos: o imóvel quase todo subsidiado, por seleção da prefeitura via CadÚnico, ou o financiamento com subsídio pela Caixa.
- No caminho da prefeitura (FAR), a prestação é de 10% ou 15% da renda por 60 meses, conforme a Portaria MCID 772/2026.
- Famílias do Bolsa Família ou do BPC ficam dispensadas de pagar a prestação nesse caminho.
- Ninguém cobra para colocar você na fila. Inscrição é gratuita e feita pelo canal oficial do município.
A Faixa 1 do Minha Casa Minha Vida é para famílias de área urbana com renda bruta de até R$ 3.200 por mês. Ela tem duas portas de entrada: o imóvel quase todo pago pelo governo, distribuído por seleção da prefeitura a partir do CadÚnico, com prestação de 10% ou 15% da renda por cinco anos; ou o financiamento com subsídio na Caixa ou em banco habilitado, com juros de cerca de 4% a 5,25% ao ano. Quem recebe Bolsa Família ou BPC fica dispensado de pagar a prestação no primeiro caminho.
Este texto aprofunda só a Faixa 1. A visão geral das quatro faixas está em Minha Casa Minha Vida 2026.
Quem se enquadra na Faixa 1
O limite de renda foi atualizado pela Portaria MCID 333, de 30 de março de 2026, publicada no Diário Oficial em 1º de abril. Antes, a Faixa 1 ia até R$ 2.850.
| Regra | Faixa 1 urbana em outubro de 2026 |
|---|---|
| Renda bruta familiar mensal | até R$ 3.200 |
| Renda que não entra na conta | benefícios temporários, Bolsa Família e BPC |
| Teto do imóvel | de R$ 210 mil a R$ 275 mil, conforme porte e região da cidade |
| Juros no financiamento | cerca de 4% a 5,25% ao ano, conforme renda, região e FGTS; as menores no Norte e Nordeste |
| Prestação no caminho da prefeitura (FAR) | 10% ou 15% da renda, por 60 meses |
Além da renda, valem as condições de todo o programa, previstas na Lei 14.620/2023:
- ninguém da família pode ter imóvel residencial adequado em seu nome;
- não pode haver financiamento habitacional ativo no SFH (Sistema Financeiro da Habitação) ou com recursos do FGTS;
- a família não pode ter recebido benefício habitacional federal nos últimos 10 anos, salvo exceções como perda do imóvel em calamidade.
A lei também manda dar prioridade, nos imóveis subsidiados, a famílias chefiadas por mulheres, com pessoas com deficiência, idosos, crianças ou adolescentes, em área de risco, em situação de rua, com vítimas de violência doméstica e a outros grupos vulneráveis. O contrato é registrado de preferência em nome da mulher.
Os dois caminhos da Faixa 1
Caminho 1: imóvel do FAR, com seleção pela prefeitura
O FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) paga a construção de conjuntos habitacionais. A prefeitura ou o governo do estado indica o terreno e seleciona as famílias. O subsídio pode chegar a 95% do valor da unidade, segundo a Caixa.
A família paga uma prestação simbólica, calculada sobre a renda, e não sobre o valor do imóvel. A regra em vigor é a da Portaria MCID 772, de 7 de julho de 2026:
| Renda bruta familiar mensal | Prestação mensal | Prazo |
|---|---|---|
| até R$ 1.621 | 10% da renda, mínimo de R$ 80 | 60 meses |
| a partir de R$ 1.621,01 | 15% da renda menos R$ 81,05 | 60 meses |
Os cortes de R$ 1.621 e R$ 81,05 acompanham o salário mínimo e são atualizados por portaria. Se alguém mostrar números diferentes, confira a data.
A Lei 14.620/2023 dispensa a participação financeira da família que tem beneficiário do BPC (Benefício de Prestação Continuada) ou do Bolsa Família, e a Caixa informa que, nos imóveis do FAR, essas famílias podem ter a prestação quitada sem custo. Alguns editais, como o de Cariacica (ES), também isentam famílias que perderam a única moradia em desastre ou por obra pública.
Caminho 2: financiamento com subsídio no banco
Se não há conjunto aberto na sua cidade, ou se você quer escolher o imóvel, dá para comprar uma unidade nova ou usada dentro do teto da sua cidade com financiamento da Caixa ou de outro banco habilitado. Aqui entram três ajudas ao mesmo tempo:
- Subsídio do FGTS, que abate parte do preço. É maior quanto menor a renda. Veja o cálculo em subsídio do Minha Casa Minha Vida.
- Juros reduzidos, de cerca de 4% a 5,25% ao ano, conforme renda, região e se você tem 3 anos de FGTS. Desde abril de 2026, rendas entre R$ 2.850,01 e R$ 3.200 têm taxa de 4,5%.
- FGTS próprio, se você tiver saldo, para a entrada.
Nesse caminho o banco faz análise de crédito e a parcela precisa caber em até 30% da renda bruta. O prazo pode chegar a 420 meses (35 anos), limitado pela sua idade.
Exemplo prático com números
Exemplo ilustrativo de uma família com renda bruta de R$ 2.500.
Pelo FAR: a prestação seria 15% de R$ 2.500 (R$ 375) menos R$ 81,05, ou seja, R$ 293,95 por mês, durante 60 meses. Total pago: R$ 17.637. Se a família recebe Bolsa Família, a prestação é dispensada.
Pelo financiamento: com parcela de até 30% da renda, o limite é R$ 750 por mês. Para outra família, com renda de R$ 3.000, o teto da parcela vai a R$ 900. Numa taxa de 4,5% ao ano, em 420 meses, tabela Price, sem seguros, isso sustenta cerca de R$ 192 mil de financiamento. A 5,25%, cerca de R$ 175 mil. O subsídio e o FGTS cobrem parte do preço, e o restante vira entrada.
| Situação ilustrativa | Renda bruta | Parcela máxima | Quanto financia (420 meses) |
|---|---|---|---|
| Juros de 4,5% ao ano | R$ 3.000 | R$ 900 | cerca de R$ 192 mil |
| Juros de 5,25% ao ano | R$ 3.000 | R$ 900 | cerca de R$ 175 mil |
Seguros obrigatórios e taxa de administração reduzem um pouco esses valores. Para refazer a conta com os seus números, use o simulador de financiamento.
Como se inscrever passo a passo
Para o imóvel subsidiado da prefeitura
- Faça ou atualize o CadÚnico (Cadastro Único) no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da sua cidade. Leve documento com foto e CPF de todos da casa, comprovante de residência e de renda.
- Cadastre-se no programa habitacional do município, se houver. Muitas cidades têm plataforma própria ou fila na secretaria de habitação.
- Acompanhe os editais. Cada empreendimento abre uma seleção com prazo curto. Um edital de Cariacica (ES) de julho de 2026, por exemplo, exigia CadÚnico atualizado até uma data de corte, dois anos de moradia na cidade e pelo menos um critério de déficit habitacional, como aluguel acima de 30% da renda.
- Confira as reservas. Editais costumam separar parte das unidades para famílias do Bolsa Família ou BPC, idosos e pessoas com deficiência, com prioridade para o térreo.
- Entregue os documentos quando for chamado. A prefeitura confere e a Caixa valida o enquadramento.
Para o financiamento com subsídio
- Some a renda bruta de quem mora junto.
- Simule no simulador habitacional da Caixa ou de um banco habilitado.
- Procure imóvel dentro do teto da sua cidade. Muitos lançamentos já vêm enquadrados.
- Separe os documentos. A lista está em documentos para financiamento.
- Aguarde análise de crédito e avaliação do imóvel e assine o contrato.
Se tiver FGTS, ele pode compor a entrada, nas regras de FGTS na compra do imóvel.
Erros comuns e cuidados
- Pagar para "entrar na fila". A inscrição é gratuita. Despachante ou "associação" que cobra para garantir casa é golpe.
- CadÚnico desatualizado. Editais usam data de corte. Cadastro vencido tira você da seleção.
- Informar renda errada. Omitir ou inflar renda leva à exclusão e pode gerar devolução do benefício.
- Alugar ou vender o imóvel do FAR. A lei exige uso próprio. Alugar, emprestar ou negociar a unidade pode levar à retomada do imóvel pelo fundo.
- Esquecer IPTU e condomínio. Mesmo com prestação baixa ou isenta, a família assume taxas e condomínio, como prevê a Lei 14.620/2023.
- Confundir faixa com renda líquida. O programa usa renda bruta.
Resumo e próximos passos
- Faixa 1 urbana: renda bruta de até R$ 3.200, desde abril de 2026.
- No FAR, prestação de 10% da renda (mínimo R$ 80) até R$ 1.621, ou 15% menos R$ 81,05 acima disso, por 60 meses. Bolsa Família e BPC dispensados.
- No financiamento, juros de cerca de 4% a 5,25% ao ano, subsídio do FGTS e prazo de até 35 anos.
- Comece pelo CadÚnico e pelos editais da prefeitura. Para financiar, simule antes de escolher o imóvel.
Valores de outubro de 2026. Portarias do Ministério das Cidades e decisões do Conselho Curador do FGTS mudam esses números com frequência, e o planejamento do FGTS para 2027 estava previsto para o fim de outubro. Confirme as regras no site do Ministério das Cidades, na Caixa e no edital da sua cidade antes de qualquer passo.
Perguntas frequentes
Qual a renda máxima da Faixa 1 do Minha Casa Minha Vida?
R$ 3.200 de renda bruta familiar mensal em área urbana, segundo a Portaria MCID 333/2026, em vigor desde 1º de abril de 2026.
Quanto custa a parcela da Faixa 1 pela prefeitura?
Pela Portaria MCID 772/2026, quem tem renda de até R$ 1.621 paga 10% da renda, com mínimo de R$ 80. Acima disso, paga 15% da renda menos R$ 81,05. São 60 parcelas.
Quem recebe Bolsa Família paga a casa da Faixa 1?
A Lei 14.620/2023 dispensa a participação financeira da família que tem beneficiário do Bolsa Família ou do BPC, e a Caixa aplica essa regra aos imóveis do FAR. Confirme no contrato a sua situação.
Como me inscrevo na Faixa 1?
Faça ou atualize o CadÚnico no CRAS e acompanhe os editais da prefeitura ou do governo do estado. Para o financiamento com subsídio, a simulação é feita direto na Caixa ou num banco habilitado.
Nome sujo impede de participar da Faixa 1?
No caminho da prefeitura, editais podem exigir que não haja restrição no Cadin ou dívida com a Receita. No financiamento, o banco faz análise de crédito. Leia o edital do seu município.
Fontes consultadas
- Portaria MCID nº 333, de 30 de março de 2026 (limites de renda)
- Lei 14.620/2023, Programa Minha Casa, Minha Vida (Planalto)
- Ministério das Cidades fixa nova tabela de prestação mensal, Portaria MCID 772/2026 (Atlas Público, 09/07/2026)
- Novas regras do MCMV: juros por região e financiamento de 80% (Movimento Econômico, 22/04/2026)
- FGTS eleva para R$ 13 mil limite de renda do Minha Casa, Minha Vida (O Povo, 24/03/2026)
- Cariacica abre inscrições para imóveis do Minha Casa Minha Vida (Folha Vitória, 27/07/2026)
- Minha Casa Minha Vida: novas regras começam nesta quarta-feira (Paraíba Business, 21/04/2026)
Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.