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Como funciona o financiamento imobiliário: guia completo

Entenda como funciona o financiamento imobiliário em 2026: entrada, renda, juros, SFH e SFI, SAC ou Price, etapas da aprovação e custos que pesam no bolso.

Publicado em 19 de outubro de 20268 min de leituraPor Redação Guia Credituz

Resumo rápido

  • O banco paga a maior parte do imóvel ao vendedor e você devolve esse valor em parcelas mensais, com juros, por até 35 anos.
  • O imóvel fica alienado ao banco como garantia até a última parcela. Atrasos longos podem levar à perda do imóvel.
  • Você precisa de entrada (em geral de 20% a 30% do valor avaliado) e de renda suficiente para que a parcela caiba em cerca de 30% dela.
  • Desde outubro de 2025, o teto do SFH é de R$ 2,25 milhões, com juros e encargos limitados a 12% ao ano (seguros e tarifas ficam fora desse teto).
  • Compare propostas pelo CET (Custo Efetivo Total), não só pela taxa de juros anunciada.

Financiamento imobiliário é um empréstimo de longo prazo em que o banco paga a maior parte do imóvel ao vendedor e você devolve esse dinheiro em parcelas mensais, com juros e correção, por até 35 anos. Você entra com uma parte do valor (a entrada), o imóvel fica como garantia do banco até a última parcela e, ao quitar, a garantia é retirada da matrícula. Para conseguir, você precisa de três coisas: entrada, renda compatível com a parcela e um imóvel que o banco aceite.

O que acontece, na prática, quando você financia

Pense no financiamento como uma operação com quatro partes: você (comprador), o vendedor, o banco e o cartório de registro de imóveis.

  1. O banco analisa sua renda, seu histórico de crédito e o imóvel.
  2. Se aprovar, ele define quanto empresta, por quanto tempo e com qual taxa.
  3. Você assina um contrato que é, ao mesmo tempo, compra e venda e financiamento.
  4. O contrato é registrado no cartório. Só depois disso o banco libera o dinheiro ao vendedor.
  5. Você passa a pagar as parcelas mensais.

A garantia mais usada no Brasil é a alienação fiduciária, prevista na Lei 9.514/1997. Funciona assim: o imóvel fica no seu nome, você mora nele, mas a propriedade fica vinculada ao banco enquanto houver dívida. Se as parcelas deixarem de ser pagas por muito tempo, o banco pode retomar o imóvel por um procedimento feito no próprio cartório, sem precisar de processo judicial. Por isso a parcela precisa caber no seu orçamento com folga.

O que o banco avalia antes de aprovar

Sua renda

O limite mais conhecido é o comprometimento de renda: a primeira parcela não deve passar de cerca de 30% da renda bruta mensal. A Serasa, em texto de junho de 2026, aponta esse patamar como o usual entre os bancos e cita a Caixa limitando a prestação a cerca de 30% da renda bruta familiar. Dá para somar a renda de duas ou mais pessoas, o que explicamos em renda composta. O cálculo completo está em quanto preciso ganhar para financiar.

Seu histórico de crédito

O banco consulta score, dívidas em aberto, cheque especial, cartão e outros financiamentos. Nome negativado costuma travar a aprovação. Dívidas que você já paga reduzem o espaço para a parcela nova, mesmo que estejam em dia.

O imóvel

O banco manda um engenheiro avaliar o imóvel. O valor de avaliação, e não o preço combinado com o vendedor, é a base do financiamento. Se a avaliação vier abaixo do preço, a entrada aumenta. O imóvel também passa por análise jurídica: matrícula, certidões do vendedor, regularidade da construção.

Sua idade

O prazo é limitado pela idade. Na prática, os bancos costumam limitar a soma da sua idade com o prazo do contrato a 80 anos e 6 meses. Esse número vem do seguro obrigatório: pela Resolução CNSP 447/2022, a seguradora só é obrigada a aceitar o proponente até esse limite. Confirme a regra do seu banco. Quem tem 50 anos, por exemplo, consegue no máximo cerca de 30 anos de prazo.

Entrada e cota de financiamento

O banco não financia 100% do imóvel. A parte que ele cobre se chama cota de financiamento e é calculada sobre o valor de avaliação.

Em outubro de 2025 a Caixa anunciou a volta da cota de até 80% no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, a linha com dinheiro da poupança) pelo sistema SAC. Em nota de dezembro de 2025, o banco confirmou até 80% no SAC e até 70% na tabela Price. Bancos privados trabalham com cotas próprias, em geral de até 80%, e alguns divulgaram em 2026 operações de até 90% para perfis selecionados. As cotas mudam conforme a política de cada banco, então confirme na simulação.

Você pode usar o saldo do FGTS na entrada se cumprir as regras do fundo. O detalhamento por banco e modalidade está em quanto de entrada é preciso.

SFH e SFI: as duas grandes "regras do jogo"

Todo financiamento imobiliário com recursos da poupança se enquadra em um destes sistemas:

Item SFH (Sistema Financeiro da Habitação) SFI (Sistema Financeiro Imobiliário)
Valor máximo do imóvel R$ 2,25 milhões (desde outubro de 2025) Sem teto
Limite de custo Juros e encargos até 12% ao ano (sem seguros e tarifas) Taxa livre, negociada
Uso do FGTS Permitido, dentro das regras do fundo Não permitido
Público típico Primeira moradia, classe média Imóveis acima do teto do SFH

O teto do SFH subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões com o novo modelo de crédito imobiliário aprovado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 10 de outubro de 2025, e a mudança valeu de imediato. Esse modelo também muda, de forma gradual, a forma como os bancos usam o dinheiro da poupança. Parte das medidas, como a redução progressiva do depósito compulsório ligado ao crédito imobiliário, só começa a valer em 2027, segundo análise do IBRE/FGV. As diferenças completas estão em SFH e SFI.

Existe ainda o Minha Casa, Minha Vida, com juros menores e subsídio para faixas de renda definidas pelo governo. Veja as regras do programa.

Juros, TR e o custo de verdade

A taxa do financiamento imobiliário tem dois pedaços na maioria dos contratos com dinheiro da poupança:

  • Juros fixos, expressos ao ano (por exemplo, 11% ao ano).
  • Correção do saldo devedor pela TR (Taxa Referencial). A TR de outubro de 2026 está em 0,16% ao mês, com acumulado de cerca de 2% em 12 meses.

Há também linhas corrigidas pelo IPCA ou atreladas ao CDI, e linhas com taxa fixa. Cada uma reage de um jeito à inflação e aos juros da economia.

O pano de fundo é a Selic. Em 16 de setembro de 2026, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) cortou a Selic para 13,75% ao ano. A próxima reunião está marcada para 3 e 4 de novembro de 2026. A Selic não define diretamente a taxa do seu contrato, mas influencia o custo de captação dos bancos e, com o tempo, as taxas oferecidas.

Além dos juros, entram na conta os seguros obrigatórios (MIP, morte e invalidez permanente, e DFI, danos físicos ao imóvel) e tarifas. Tudo isso aparece somado no CET (Custo Efetivo Total), que é o número certo para comparar bancos. Explicamos como fazer essa comparação em taxa de juros do financiamento imobiliário.

SAC ou Price: como a parcela evolui

Você escolhe o sistema de amortização na contratação:

  • SAC (Sistema de Amortização Constante): a parcela começa mais alta e cai todo mês. Você paga menos juros no total.
  • Price (Tabela Price): a parcela começa menor e fica estável (antes da correção pela TR). Você paga mais juros no total.

Exemplo ilustrativo

Financiamento de R$ 400 mil, juros de 11,5% ao ano (cerca de 0,91% ao mês), 420 meses, sem TR, seguros e tarifas:

SAC Price
Primeira parcela R$ 4.597,37 R$ 3.727,55
Última parcela R$ 961,06 R$ 3.727,55
Juros pagos no total R$ 767.269,84 R$ 1.165.572,60
Renda mínima para a 1ª parcela caber em 30% R$ 15.324,56 R$ 12.425,18

A Price exige renda menor para entrar, mas custa quase R$ 400 mil a mais em juros nesse exemplo. Valores calculados para fins de ilustração; a parcela real inclui seguros, tarifa e correção. A comparação completa está em SAC ou Price.

Passo a passo do financiamento

  1. Faça as contas antes de procurar imóvel. Use o simulador de financiamento e a calculadora de quanto posso financiar para saber seu teto de parcela e de valor.
  2. Organize a entrada e os custos extras. Além da entrada, separe dinheiro para ITBI, escritura (quando houver), registro e avaliação. Veja os custos para comprar imóvel.
  3. Simule em pelo menos três bancos. Peça a simulação com o mesmo valor, prazo e sistema, e compare o CET.
  4. Peça a aprovação de crédito. Envie documentos pessoais e de renda. Muitos bancos dão uma pré-aprovação com validade de alguns meses.
  5. Escolha o imóvel e envie a documentação dele. Matrícula atualizada, certidões do vendedor e, no caso de imóvel na planta, documentos da obra.
  6. Avaliação e análise jurídica. O engenheiro do banco vistoria o imóvel e o jurídico confere a papelada.
  7. Assinatura do contrato. Leia as cláusulas de seguro, correção, encargos por atraso e amortização extra.
  8. Registro no cartório e pagamento do ITBI. Com o contrato registrado, o banco libera o dinheiro ao vendedor.
  9. Pagamento das parcelas. A primeira costuma vencer cerca de 30 dias depois da assinatura ou do registro, conforme o contrato.

Erros comuns e cuidados

  • Olhar só a taxa de juros. Duas propostas com a mesma taxa podem ter CET diferente por causa de seguros e tarifas.
  • Usar todo o limite de 30%. O banco aprova, mas a vida muda. Condomínio, IPTU e manutenção entram no orçamento depois da mudança.
  • Esquecer os custos de compra. ITBI e registro podem somar alguns pontos percentuais do valor do imóvel e, em regra, não são financiados.
  • Fechar negócio antes da avaliação. Se o banco avaliar abaixo do preço, você precisa cobrir a diferença. Inclua no contrato com o vendedor uma condição para esse caso.
  • Assumir dívidas novas durante a análise. Um financiamento de carro no meio do processo pode derrubar a aprovação.
  • Não ler as regras de amortização extra. Pagar além da parcela reduz muito o custo total. Veja como amortizar.

Resumo e próximos passos

  • O financiamento empresta a maior parte do valor, com o imóvel como garantia, por até 35 anos.
  • Você precisa de entrada (em geral 20% a 30% do valor avaliado), renda para a parcela caber em cerca de 30% dela e um imóvel com documentação em ordem.
  • No SFH, o teto do imóvel é de R$ 2,25 milhões e juros e encargos são limitados a 12% ao ano, sem contar seguros e tarifas. Acima disso, vale o SFI.
  • SAC custa menos no total; Price exige renda menor no começo.
  • Compare propostas pelo CET e confira as regras na data da contratação, porque cotas e taxas mudam.

Comece calculando seu limite na calculadora de quanto posso financiar e depois leia quanto de entrada é preciso.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora para aprovar um financiamento imobiliário?

Depende do banco e da documentação. A análise de crédito costuma sair em poucos dias, mas avaliação do imóvel, análise jurídica, assinatura e registro em cartório podem levar de algumas semanas a dois meses ou mais.

Posso financiar 100% do imóvel?

No SFH e no SFI comuns, não. Os bancos financiam uma parte do valor avaliado (a cota de financiamento) e o restante sai do seu bolso ou do FGTS.

O imóvel fica no meu nome durante o financiamento?

Sim, a escritura e a matrícula ficam no seu nome, mas com alienação fiduciária a favor do banco. A propriedade plena só fica com você depois da quitação e da baixa da alienação no cartório.

Qual o prazo máximo do financiamento imobiliário?

Em geral, 420 meses (35 anos). O prazo real também é limitado pela sua idade: na prática, os bancos costumam limitar idade mais prazo a 80 anos e 6 meses, que é até onde a seguradora é obrigada a aceitar o seguro do financiamento.

Fontes consultadas

  1. Resolução CNSP 447/2022, seguro habitacional (texto integral)
  2. Copom reduz Selic para 13,75% ao ano (decisão de 16/09/2026)
  3. IBRE/FGV: Sobre o novo modelo de crédito imobiliário (Resoluções CMN 5.255 e BCB 512)
  4. InfoMoney: novo modelo de crédito imobiliário, teto do SFH de R$ 2,25 milhões (11/10/2025)
  5. Agência Brasil: Caixa libera mais de um financiamento e cotas de 80% (SAC) e 70% (Price) (09/12/2025)
  6. Serasa: comprometimento de renda no financiamento imobiliário (18/06/2026)
  7. Money Times: Caixa voltará a financiar 80% do valor dos imóveis no SAC (10/10/2025)
  8. Larya: idade mínima e máxima para financiar imóvel, regra de 80 anos e 6 meses (22/09/2026)
  9. Lei 9.514/1997 (alienação fiduciária de imóveis)

Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.

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