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CET do financiamento imobiliário: o que é e como comparar

O que entra no CET do financiamento imobiliário pela Resolução CMN 4.881/2020, como ler a planilha do banco e um exemplo calculado em que a menor taxa perde.

Publicado em 19 de outubro de 20269 min de leituraPor Redação Guia Credituz

Resumo rápido

  • O CET (Custo Efetivo Total) é a taxa anual que soma juros, seguros, tarifas, tributos e outras despesas do financiamento.
  • A Resolução CMN 4.881/2020 obriga o banco a informar o CET antes da contratação, com planilha que mostra cada componente em reais e em percentual.
  • Índices de preços e taxas flutuantes, como o IPCA, ficam fora do CET. Por isso, CET de linhas com indexadores diferentes não se compara direto.
  • No exemplo calculado, uma proposta com taxa 0,30 ponto menor teve CET maior por causa de seguro e tarifa.
  • No SFH, juros e encargos financeiros têm teto de 12% ao ano, mas seguros e tarifas ficam fora desse limite, então o CET pode passar disso.

O CET (Custo Efetivo Total) é a taxa anual que mostra quanto o financiamento custa de verdade, somando juros, seguros, tarifas, tributos e outras despesas cobradas de você. A Resolução CMN 4.881/2020, do Conselho Monetário Nacional, obriga o banco a informar o CET antes da contratação, com uma planilha que detalha cada componente. Ele é o número certo para comparar propostas, com uma condição: as propostas precisam ter o mesmo valor, prazo, sistema de amortização e indexador. Índices como TR e IPCA ficam fora do cálculo, e isso muda a forma de comparar linhas diferentes.

O que a Resolução CMN 4.881/2020 exige

A resolução, de 23 de dezembro de 2020, está em vigor desde 1º de fevereiro de 2021 e substituiu a antiga Resolução 3.517/2007. Os pontos que interessam a quem vai financiar, resumidos com as nossas palavras:

  • Quem informa e para quem: bancos e financeiras, para pessoas físicas e para micro e pequenas empresas.
  • Quando: antes da contratação, junto com a planilha de cálculo. Peça o CET na proposta, antes de assinar, e não só no contrato.
  • Como: em taxa percentual anual, com duas casas decimais.
  • Planilha: precisa mostrar o valor em reais de cada componente, o percentual de cada um sobre o total devido e a soma das parcelas. O banco precisa guardar esse demonstrativo por pelo menos cinco anos depois de entregá-lo.
  • No contrato: o CET aparece em destaque.
  • Na publicidade: sempre que o anúncio mostrar a taxa de juros, deve mostrar também o CET.

O Código de Defesa do Consumidor reforça a regra. O art. 54-B exige que o fornecedor informe, na oferta de crédito, o custo efetivo total e a descrição dos elementos que o compõem, e o art. 52 garante a liquidação antecipada com redução proporcional dos juros.

O que entra e o que fica fora do CET

Entra no CET Fica fora do CET
Juros do contrato Variação futura da TR
Amortização do valor emprestado Variação futura do IPCA ou de outro índice de preços
Seguros MIP (morte e invalidez permanente) e DFI (danos físicos ao imóvel) Taxas flutuantes, como CDI
Tarifa de avaliação do imóvel e outras tarifas cobradas Gastos que não são cobrados pelo banco nem vinculados à operação
Tarifa de administração mensal, se houver
Tributos vinculados à operação
Serviços de terceiros contratados pelo banco e pagos por você

Dois detalhes que costumam gerar dúvida:

  • IOF: o Regulamento do IOF (Decreto 6.306/2007, art. 9º, I) isenta as operações de crédito para fins habitacionais. Em financiamento de imóvel residencial, por isso, ele não costuma aparecer. Em imóvel comercial, há cobrança.
  • ITBI e registro: são despesas da compra do imóvel. Se o banco os financia junto, como alguns fazem, os valores entram no fluxo e afetam o CET. Se você paga por fora, não entram, mas continuam sendo custo seu. Veja os custos para comprar imóvel.

Como o CET é calculado

O CET é a taxa que iguala o valor que você recebe de fato a tudo o que você vai pagar, cada pagamento descontado pela sua data. A resolução define a fórmula com dias corridos e ano de 365 dias.

Na prática:

  1. Parte-se do valor líquido liberado. Se o banco empresta R$ 400 mil e você paga R$ 3.200 de avaliação na assinatura, o valor de partida é R$ 396.800.
  2. Montam-se todos os pagamentos mensais: amortização, juros, seguros e tarifas de cada mês.
  3. Encontra-se a taxa anual que faz a soma dos pagamentos, trazidos a valor presente, bater com o valor liberado.

É por isso que o CET é sempre maior que a taxa de juros quando há seguros e tarifas. O próprio Bradesco mostra isso em exemplo ilustrativo no site: taxa efetiva de 9,5% ao ano, cliente de 30 anos, R$ 200 mil em 360 meses no SAC, CET de 10,43% ao ano.

Exemplo calculado: a menor taxa nem sempre ganha

Exemplo ilustrativo

Duas propostas para o mesmo financiamento: R$ 400 mil de um imóvel de R$ 500 mil, 420 meses, SAC, comprador com a mesma idade. Taxas e valores de seguro escolhidos só para ilustrar, sem relação com um banco específico. Cálculo feito em Python, com fluxos mensais e taxa anualizada, sem TR.

Premissas:

  • Proposta A: 10,90% ao ano. MIP de 0,025% ao mês sobre o saldo devedor, DFI de 0,008% ao mês sobre o valor do imóvel, sem tarifa mensal.
  • Proposta B: 10,60% ao ano. MIP de 0,040% ao mês, DFI de 0,010% ao mês e tarifa de administração de R$ 25 por mês.
  • Nas duas: tarifa de avaliação de R$ 3.200 paga na assinatura.
Item Proposta A Proposta B
Taxa de juros 10,90% ao ano 10,60% ao ano
Primeira parcela de juros e amortização R$ 4.415,91 R$ 4.324,85
Seguros e tarifa no 1º mês R$ 140,00 R$ 235,00
Primeira parcela completa R$ 4.555,91 R$ 4.559,85
Juros no contrato inteiro R$ 729.073,63 R$ 709.904,43
Seguros e tarifas no contrato inteiro R$ 37.850,00 R$ 65.180,00
Total desembolsado (com avaliação) R$ 1.170.123,63 R$ 1.178.284,43
CET 11,53% ao ano 11,58% ao ano

A proposta B tem taxa 0,30 ponto menor e economiza R$ 19 mil em juros, mas perde R$ 27 mil em seguros e tarifa. No fim, custa cerca de R$ 8 mil a mais, e o CET mostra isso.

Quanto cada componente pesa

Ainda na proposta A, decompondo o CET:

Cenário CET
Só juros 10,90% ao ano
Juros e avaliação 11,03% ao ano
Juros e seguros 11,40% ao ano
Juros, seguros e avaliação 11,53% ao ano

Os seguros, neste exemplo, acrescentam meio ponto ao custo (de 10,90% para 11,40%). Para um comprador mais velho, o MIP é maior e o efeito cresce. É por isso que trocar de seguradora pode valer a pena; veja seguros MIP e DFI.

Na planilha que o banco entrega, a proposta A apareceria mais ou menos assim, em percentual do total devido: juros 62,31%, amortização 34,18%, seguros 3,23% e avaliação 0,27%.

Como ler a planilha do CET

Quando a proposta chegar, procure:

  1. O CET anual, com duas casas decimais. Se só houver taxa de juros, peça o CET.
  2. O valor liberado. Confira se é o valor que você precisa ou se já desconta tarifas.
  3. A lista de componentes em reais: juros, seguros, tarifas, tributos, despesas de terceiros.
  4. O indexador. TR, IPCA ou nenhum. Lembre que ele não está no CET.
  5. As premissas do seguro: idade considerada e seguradora. Se a idade estiver errada, o CET está errado.
  6. As condições da taxa. Se a taxa depende de salário na conta ou de outros produtos, o custo desses produtos em geral não está no CET. Some à parte.
  7. A data e a validade da proposta. O CDC exige validade de pelo menos 2 dias para a oferta.

Comparando CET de linhas diferentes

O CET só compara bem propostas com o mesmo indexador. Nos outros casos:

  • TR contra TR: compare o CET direto. A TR é a mesma para todos os bancos.
  • TR contra IPCA: o CET da linha com IPCA fica mais baixo porque a inflação está fora. Some uma estimativa de inflação à parte fixa (por exemplo, a dos últimos 12 meses) e veja a parcela em cenários. O guia do financiamento no Inter, que usa IPCA, mostra essa conta.
  • TR contra poupança: a parte variável da poupança também fica fora. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, como em outubro de 2026, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR, e o custo real fica bem acima do que o CET sugere.
  • SAC contra Price: o CET de um e de outro pode ficar parecido, porque é uma taxa, mas o total pago na Price é muito maior. Compare também o total desembolsado. Veja SAC ou Price.

O teto do SFH

No SFH (Sistema Financeiro da Habitação), que cobre imóveis avaliados em até R$ 2,25 milhões desde a Resolução CMN 5.255/2025, a Resolução CMN 4.676/2018 (art. 13) fixa um custo efetivo máximo de 12% ao ano. Atenção ao que esse teto cobre: juros, comissões e outros encargos financeiros. Seguros e tarifas ficam de fora, e a TR, por ser atualização do saldo, não é tratada como juros.

Por isso, um CET acima de 12% não significa, sozinho, que a proposta descumpre a regra: no exemplo acima, os juros são de 10,90% e o CET passa de 11,5% só por causa de seguros e avaliação. O que não pode passar de 12% é a parte de juros e encargos. Se a taxa de juros efetiva da proposta já estiver acima disso, pergunte ao banco se o contrato está mesmo no SFH ou foi feito a taxas de mercado, fora dele. Acima do teto de valor, no SFI, não há limite. Veja SFH e SFI.

Erros comuns

  • Comparar taxa de juros em vez de CET. O exemplo acima mostra como isso engana.
  • Comparar CET de prazos diferentes. Tarifas fixas pesam diferente em 20 e em 35 anos.
  • Esquecer que TR e IPCA estão fora. O CET é o custo mínimo, não o custo final.
  • Ignorar o pacote de produtos. Seguro de vida, capitalização ou cartão exigidos para a taxa menor custam dinheiro todo mês.
  • Não pedir a planilha. Ela é direito seu e mostra onde está o custo.

Resumo e próximos passos

  • O CET soma juros, seguros, tarifas, tributos e despesas vinculadas em uma taxa anual, e deve ser informado antes da contratação (Resolução CMN 4.881/2020).
  • Índices como TR e IPCA ficam fora. Compare CET entre propostas com o mesmo indexador.
  • Uma taxa menor pode ter CET maior por causa do seguro e das tarifas.
  • Peça a planilha completa em cada banco e siga o roteiro de como simular e comparar propostas. Para entender a taxa de juros em si, veja taxa de juros do financiamento imobiliário.

Perguntas frequentes

O que é CET no financiamento imobiliário?

É o custo total do financiamento expresso em uma taxa anual. Ele soma juros, seguros obrigatórios, tarifas, tributos e despesas pagas a terceiros vinculadas à operação, e é calculado sobre o valor que você efetivamente recebe.

O CET inclui a TR ou o IPCA?

Não. A Resolução CMN 4.881/2020 manda deixar taxas flutuantes e índices de preços fora do cálculo, embora eles precisem constar na planilha. O CET mostra a parte fixa do custo.

O banco é obrigado a informar o CET?

Sim. O banco deve informar o CET antes da contratação, junto com a planilha de cálculo, e ele deve aparecer em destaque no contrato e em anúncios que mostrem taxa de juros. O Código de Defesa do Consumidor também exige essa informação na oferta de crédito.

Qual CET é bom para financiamento imobiliário?

Não existe número fixo. O que importa é comparar o CET de propostas com o mesmo valor, prazo, sistema e indexador. No SFH, juros e encargos financeiros têm teto de 12% ao ano, mas esse teto não inclui seguros e tarifas, que entram no CET.

Fontes consultadas

  1. Resolução CMN 4.881, de 23/12/2020 (Custo Efetivo Total)
  2. Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, arts. 52 e 54-B (texto compilado)
  3. Decreto 6.306/2007, Regulamento do IOF, art. 9º, I (texto compilado)
  4. Bradesco: Bradesco Imóveis, exemplo de CET (página oficial, consultada em 19/10/2026)
  5. Resolução CMN 4.676/2018, art. 13 (custo efetivo máximo de 12% ao ano no SFH e exclusões)
  6. Resolução CMN 5.255, de 10/10/2025 (teto de avaliação do SFH em R$ 2,25 milhões)
  7. Banco Central: taxas de juros por instituição financeira

Conteúdo informativo, revisado em 19 de outubro de 2026. Regras, taxas e valores mudam: confirme as condições com o banco, o cartório ou um profissional antes de decidir. Encontrou um erro? Avise a gente.

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